Dentista com 30 anos de experiência enfrenta denúncias de pacientes com paralisia facial em Ribeirão Preto
A cirurgiã dentista Priscilla Janaína Bovo, formada desde dezembro de 1997 e com mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), está no centro de uma polêmica envolvendo pacientes que alegam ter ficado com o rosto paralisado após procedimentos realizados por ela na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Profissional rebate acusações e destina experiência
Em vídeo publicado nas redes sociais, a dentista, que é registrada no Conselho Federal de Odontologia como especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, defendeu seu trabalho com veemência. "Já realizei mais de 150 cirurgias de remoção desse tipo de material", afirmou Priscilla, referindo-se a procedimentos para retirada de produtos permanentes implantados na face por outros profissionais.
A profissional, que também se apresenta como professora de pós-graduação, argumentou que seus pacientes chegam até ela com deformidades faciais graves causadas por materiais que, segundo ela, são proibidos pelo Conselho Federal de Medicina para fins estéticos. "Esse material se infiltra nos tecidos, acometendo nervos, vasos sanguíneos, músculos", explicou.
Priscilla enfatizou que todas as possíveis intercorrências são discutidas previamente com os pacientes, que assinam termos de consentimento informado. "Tenho quase 30 anos de formação e dedicação contínua", destacou, reforçando sua trajetória profissional.
Relatos de pacientes com sequelas graves
Entre as denúncias, uma paciente de Rondônia, que preferiu não se identificar, relatou ter ficado com o rosto paralisado apenas um dia após passar por um procedimento com a dentista em julho de 2025. A mulher realizou uma cirurgia em hospital particular de Ribeirão Preto para remover dois nódulos da face.
Em vídeo emocionado, a paciente questionou: "Como você fez isso comigo, doutora? Você trocou um caroço por uma deficiência. Eu confiei em você como confiava em Deus". Desde então, ela passou por duas cirurgias de reconstrução facial e, embora tenha apresentado melhoras, afirma que seu rosto nunca mais será o mesmo.
"Não tem como devolver meu sorriso. Não tem como ficar igual", lamentou a mulher, que fez um alerta público: "Meu objetivo é que outras pessoas não fiquem desinformadas e caiam nessa história".
Investigações em andamento
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que o caso da paciente de Rondônia está sendo investigado pela Polícia Civil. Outros dois casos aguardam representação criminal das pacientes para que as investigações possam ser iniciadas oficialmente.
O Ministério Público também está envolvido no caso, tendo requisitado à polícia a instauração de inquérito para apurar as denúncias. Até o momento, a dentista é alvo de pelo menos três denúncias formais de pacientes que alegam ter sofrido sequelas após procedimentos.
Defesa da profissional
O advogado de Priscilla, Tiago Retes, afirmou que a dentista recebeu as denúncias com indignação e surpresa, argumentando que ela nunca havia recebido quaisquer processos ou reclamações formais de pacientes anteriormente.
A profissional insiste que seus procedimentos são cirurgias funcionais e reparadoras, não estéticas, e que estão dentro da alçada legal de um cirurgião bucomaxilofacial. "As pessoas chegam para se tratar de deformidades secundárias, da colocação de produtos permanentes em face, advindos de outros profissionais", reiterou Priscilla em sua defesa pública.
Enquanto as investigações seguem seu curso, o caso levanta questões importantes sobre regulamentação de procedimentos estéticos, consentimento informado e responsabilidade profissional na área da saúde.



