Defesa de goleiro Bruno contesta prisão por suposto descumprimento de condicional
Defesa de Bruno contesta prisão por descumprimento de condicional

Defesa de goleiro Bruno contesta decisão judicial que determinou sua prisão

A defesa do goleiro Bruno Fernandes, que reside atualmente em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, anunciou nesta segunda-feira, 9 de setembro, que irá contestar a decisão da Justiça fluminense que determinou a prisão do ex-atleta por suposto descumprimento do livramento condicional. Segundo os advogados, Bruno cumpriu rigorosamente todas as regras impostas pelo benefício nos últimos três anos, tornando a medida judicial injustificada e passível de revisão.

Justiça alega viagem não autorizada ao Acre

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro fundamentou a decisão de prisão no fato de que, em 15 de fevereiro, poucos dias após obter o livramento condicional, Bruno teria viajado para o estado do Acre sem a devida autorização judicial. A determinação original proibia expressamente que o ex-jogador deixasse o território do Rio de Janeiro, condição que, segundo a Justiça, foi violada com essa viagem não autorizada.

Com base nessa interpretação, a Vara de Execuções Penais do Rio expediu um mandado de prisão contra Bruno, revogou o livramento condicional e determinou o retorno do ex-atleta ao regime semiaberto. A medida judicial considera que o descumprimento de uma condição específica do benefício justifica a reversão total da situação penal.

Advogada afirma cumprimento regular das obrigações

Em contrapartida, a advogada Mariana Migliorini, que integra a defesa de Bruno, apresentou argumentos sólidos contestando a decisão. Ela destacou que o livramento condicional foi concedido há aproximadamente três anos e que, durante todo esse período, o ex-goleiro cumpriu pontualmente todas as obrigações impostas pela execução penal.

"A Vara de Execuções do Rio já tinha concedido o livramento para o Bruno há cerca de três anos. Durante esse período, ele compareceu ao patronato todas as vezes, assinou regularmente, manteve endereço atualizado e seguiu rigorosamente as condições do livramento", afirmou a advogada em entrevista coletiva.

Migliorini ainda questionou a legalidade de algumas exigências impostas pela Justiça, argumentando que elas seriam incompatíveis com a natureza do próprio livramento condicional. "São condições muito severas que não traduzem o verdadeiro espírito do livramento condicional. Elas acabam transformando o semiaberto domiciliar em livramento condicional, o que entendemos ser uma distorção do instituto jurídico", explicou a defensora.

Defesa planeja pedido de transferência de execução penal

Além de contestar a decisão de prisão, a defesa de Bruno informou que pretende formalizar um pedido de transferência da execução da pena para São Pedro da Aldeia, município onde o ex-jogador reside atualmente. Segundo a advogada, a legislação brasileira prevê expressamente que o cumprimento da execução penal deve ocorrer no local de residência do condenado, garantindo maior proximidade e facilitando o acompanhamento judicial.

Enquanto a situação não for analisada judicialmente, a orientação da defesa é que Bruno não se apresente voluntariamente à Justiça do Rio de Janeiro. "Se ele se apresentar agora, pode acabar ficando em regime fechado como se fosse semiaberto, o que entendemos ser uma medida irregular e desproporcional", alertou Migliorini, destacando os riscos de uma apresentação imediata sem a devida revisão processual.

Contexto do caso e condenação anterior

Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelo homicídio da modelo Eliza Samudio, crime que chocou o país e gerou ampla repercussão midiática. O ex-goleiro estava em liberdade condicional desde 2023, após cumprir parte significativa da pena no regime semiaberto. O caso continua a ser acompanhado de perto por autoridades judiciais e pela opinião pública, que aguarda os desdobramentos dessa nova controvérsia legal.

A defesa mantém a expectativa de que a Justiça reavalie a decisão com base nos argumentos apresentados, garantindo que os direitos processuais de Bruno sejam respeitados e que qualquer medida punitiva seja estritamente fundamentada na legislação vigente.