Corpos de trabalhadores baianos executados em João Pessoa são liberados para sepultamento na Bahia
Corpos de baianos executados na PB liberados para sepultamento na Bahia

Corpos de trabalhadores baianos executados em João Pessoa são liberados para sepultamento na Bahia

Os corpos dos quatro trabalhadores baianos encontrados mortos em João Pessoa, na Paraíba, foram liberados neste sábado (4) pelo Instituto Médico Legal (IML). As vítimas, com indícios claros de execução, devem ser veladas e sepultadas em suas cidades de origem na Bahia, encerrando um capítulo trágico que comoveu familiares e a comunidade.

Chegada dos familiares e reconhecimento dos corpos

Familiares das vítimas chegaram à capital paraibana na manhã deste sábado (4) para realizar o reconhecimento e a liberação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML). Durante a angustiante espera, parentes relataram os últimos contatos com os trabalhadores e detalhes da viagem repentina ao estado, que culminou em tragédia.

As vítimas foram identificadas como Cleibon Jaques, de 31 anos, e Lucas Bispo, ambos naturais de Campo Formoso (BA); além de Sidclei Silva, de 21 anos, e Gismario Santos, de 23, originários de Morro do Chapéu (BA). De acordo com o Instituto de Polícia Científica (IPC), todos os quatro corpos seguirão para velório e sepultamento na Bahia.

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Últimos contatos e viagem repentina

A mãe e a esposa de Gismário Santos, Samara Gonçalves e Lavínia de Souza, relataram à TV Cabo Branco os momentos que antecederam o desaparecimento. O jovem de 23 anos havia se mudado recentemente para a Paraíba a trabalho, acompanhando uma empresa do setor de construção civil.

Segundo Samara, a viagem incluiu saídas de Morro do Chapéu, passagem por Brumado e, posteriormente, transferência para a Paraíba, onde ele estava há aproximadamente 10 dias. “Ele já veio empregado, acompanhando a empresa. De Morro do Chapéu foi para Brumado e de lá deslocaram para cá”, afirmou a mãe, destacando que a família não conhecia a maioria das pessoas com quem ele dividia moradia no estado.

Lavínia de Souza, esposa de Gismário, revelou que a viagem foi definida de forma abrupta, poucos dias antes da partida. “Ele só soube na sexta-feira à noite que viria para a Paraíba, mas nem sabia qual cidade. Ele ficou cismado, porque não conhecia ninguém aqui”, contou. Apesar da preocupação, ele decidiu seguir com a equipe, trabalhando na empresa desde outubro do ano passado.

O último contato ocorreu na noite da terça-feira (31), quando Gismário enviou um áudio tranquilo, dizendo que iria jantar e depois responderia. Após isso, as mensagens não foram mais respondidas e as ligações passaram a ser recusadas, levando a família a suspeitar inicialmente de um problema no celular. “Achei que era o aparelho, mas depois veio a pior notícia das nossas vidas”, desabafou Lavínia.

Relembre o caso: corpos encontrados com indícios de execução

Quatro corpos foram localizados em uma área de mata no bairro de Brisamar, em João Pessoa, na madrugada de sexta-feira (3). A perícia inicial indica que as vítimas foram mortas há cerca de dois dias, por disparos de arma de fogo, com três delas apresentando as mãos amarradas para trás.

Devido ao avançado estado de decomposição, a identificação visual não foi possível, exigindo exames cadavéricos para confirmação das identidades. A polícia informou que duas vítimas estavam com documentos, mas não há certeza se pertencem a elas, mantendo o caso sob investigação pela Polícia Civil.

Carro abandonado e fuga de suspeitos

Moradores da região denunciaram um carro abandonado, que foi localizado por uma guarnição da Polícia Militar com sinais de sujeira e forte odor. Equipes iniciaram buscas nas proximidades e encontraram os corpos em uma área de mata dentro de uma granja do bairro.

O veículo, roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa, foi cenário de um registro crucial: uma câmera de segurança capturou o momento em que quatro suspeitos fugiram em uma única moto, após abandonarem os corpos. Na madrugada da sexta-feira (3), moradores da Rua Juvenal Coelho relataram ouvir barulho de buzina muito forte e gritos, aumentando o clima de tensão no local.

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Desaparecimento das vítimas e investigação policial

A Polícia Civil da Paraíba já investigava o desaparecimento dos quatro trabalhadores da construção civil, que estavam hospedados em uma casa de apoio em Bayeux, na Grande João Pessoa. O caso foi registrado na manhã de quinta-feira (2), mas os homens estavam desaparecidos desde a terça-feira (31).

De acordo com informações iniciais, os trabalhadores residiam em um imóvel destinado a funcionários da construção civil há cerca de dois meses. Na madrugada da quarta-feira (1º), o veículo responsável pelo transporte chegou ao endereço, mas nenhum deles foi encontrado. Ao entrar na residência, o motorista percebeu o local revirado e com sinais de desordem, o que levou ao acionamento imediato da polícia.

Em entrevista à TV Cabo Branco, a esposa de uma das vítimas descreveu o momento do desaparecimento: “Ele jogou o celular, ficou tudo escuro, não deu para ver nada, mas eu escutei muitos homens gritando. Ele não mexe com nada, ele não é envolvido, ele não fuma, ele não bebe. Até então, ficava todo minuto na minha mente a cena do rosto dele, em pânico, na hora que acendeu a luz do quarto onde ele estava deitado”, relatou, emocionada.

O caso continua sob apuração das autoridades, que buscam esclarecer os motivos e os responsáveis por essa execução que chocou a comunidade e deixou famílias em luto.