Justiça condena 'carimbadores' por crimes hediondos contra menores em Manaus
A Justiça do Amazonas proferiu sentença condenatória contra dois réus envolvidos em um caso chocante de exploração sexual de crianças e adolescentes na capital manauara. As penas, somadas, ultrapassam a marca de vinte anos de reclusão em regime fechado, em um processo que ainda está sujeito a recursos. A decisão judicial foi assinada pelo magistrado Rosberg de Souza Crozara nesta terça-feira, dia 3 de setembro.
Detalhes da condenação e a tétrica alcunha
Os condenados, um homem de 21 anos e outro de 31, foram alvos da Operação Carimbadores, desencadeada pelas forças policiais entre os meses de maio e junho de 2024. A investigação apurou que a dupla se autointitulava "carimbadores", em uma referência macabra ao plano de transmitir o vírus HIV a jovens vulneráveis através de relações sexuais desprotegidas.
Um dos réus recebeu uma pena de 12 anos, 3 meses e 10 dias de prisão, enquanto o outro foi sentenciado a 9 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão. As condenações foram baseadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), pelos crimes de divulgação e posse de material pornográfico infantil, e também pelo artigo 288 do Código Penal, que tipifica a associação criminosa.
Provas digitais e o percurso investigativo
Durante a instrução processual, os celulares dos acusados foram minuciosamente analisados. Laudos periciais emitidos pelo Instituto de Criminalística confirmaram a presença de conteúdo pornográfico envolvendo crianças e adolescentes nos aparelhos. As conversas analisadas revelaram trocas de mensagens onde os suspeitos não apenas compartilhavam material ilícito, mas também discutiam os abusos sexuais praticados com a intenção declarada de infectar as vítimas com HIV ou Aids (PVHA).
A delegada Joyce Coelho, então titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), detalhou que as investigações tiveram início em 2022, a partir de uma denúncia anônima originada em uma assistência técnica de celulares. O denunciante alertou as autoridades sobre uma conversa entre dois homens que admitiam a prática de estupros e abusos.
"Na época a gente não pôde concluir a investigação, porque o celular não foi encontrado para ser apreendido. O que havia eram alguns prints que a suposta assistência técnica teria feito", relembrou a delegada. As apurações foram retomadas em dezembro de 2023, após a Polícia Federal receber a mesma denúncia, o que permitiu a identificação dos dois indivíduos.
Reversões no cárcere e a eficácia da operação
Os dois suspeitos já haviam sido presos em maio, mas foram soltos no fim de semana seguinte devido a um esquecimento do prazo de prisão pela Polícia Civil do Amazonas. Um novo pedido de detenção preventiva foi rapidamente apresentado, resultando na nova prisão dos investigados.
A delegada Joyce Coelho enfatizou a eficácia da operação: "Tudo indica que essas conversas, esses grupos, realmente são feitos a partir do aparelho celular. Então, essa operação foi bastante exitosa, inclusive no sentido de confirmar a autoria dos fatos. Eles de fato são os interlocutores dessas conversas".
Este caso evidencia a gravidade dos crimes digitais contra a infância e a importância da colaboração entre diferentes órgãos policiais para a elucidação de delitos tão repugnantes. A sociedade amazonense aguarda os desdobramentos judiciais, na expectativa de que a justiça seja plenamente feita para as vítimas e suas famílias.