Justiça de Goiás determina júri popular para cinco PMs no caso Fábio Escobar
A Justiça de Goiás decidiu que cinco policiais militares envolvidos nas mortes de três homens, ligadas ao assassinato do empresário Fábio Escobar, devem ser submetidos a júri popular. A decisão, proferida nesta quinta-feira (22), atendeu a um recurso do Ministério Público contra a absolvição dos acusados, ocorrida em novembro de 2024.
Revertendo a absolvição anterior
Os desembargadores do Tribunal de Justiça de Goiás entenderam que não ficou comprovada a versão da defesa dos policiais, que alegava legítima defesa. O desembargador relator, Gustavo Dalul Faria, afirmou que a absolvição sumária exige uma demonstração cabal das circunstâncias que excluem o crime, o que não ocorreu neste caso.
Os policiais acusados são:
- Glauko Olivio de Oliveira
- Wembleyson de Azevedo Lopes
- Adriano Azevedo de Souza
- Rodrigo Moraes Leal
- Thiago Marcelino
Eles respondem por homicídio triplamente qualificado contra as vítimas Gabriel Santos Vital, Gustavo Lage Santana e Mikael Garcia de Faria.
Detalhes das investigações e contradições
De acordo com as investigações da Polícia Civil, as três vítimas foram assassinadas para esconder provas da morte de Fábio Escobar. O empresário foi morto a tiros em 23 de junho de 2021, após denunciar desvios de dinheiro na campanha eleitoral de 2018 do ex-presidente do Democratas, Cacai Toledo.
O desembargador Gustavo Dalul Faria destacou que o laudo pericial não sustenta a alegação dos policiais de que reagiram após serem surpreendidos por tiros. O exame indicou que:
- As vítimas foram atingidas quando já estavam fora dos veículos, na mata próxima à rodovia
- Não havia sinais de luta corporal
- As supostas armas atribuídas às vítimas foram retiradas do local pelos policiais antes da chegada da perícia
- Os exames dos corpos mostram que as vítimas foram atingidas por disparos quando estavam em altura inferior aos policiais
Contexto das mortes e conexão com o caso Escobar
As três vítimas morreram em uma emboscada no dia 23 de agosto de 2023, no Km 105 da BR-060. Segundo a denúncia do Ministério Público, os policiais usaram o serviço de inteligência para monitorá-las e, após receberem informações sobre seu paradeiro, passaram a fazer patrulhamento nas imediações.
A investigação apontou que Bruna Vitória Rabelo, supostamente amiga das vítimas, era dona do celular usado para atrair Fábio Escobar para a emboscada. Bruna foi morta a tiros, e Glauko Olivio foi apontado como responsável pela execução.
Posição da defesa e próximos passos
A defesa de Rodrigo Moraes Leal e Adriano Azevedo de Souza emitiu uma nota afirmando que respeita a decisão, mas vai recorrer para manter a absolvição. O advogado Akauã de Paula Santos, responsável pela defesa, declarou que já trabalha no recurso para buscar a manutenção da decisão anterior.
O g1 procurou a defesa dos demais acusados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Esta decisão marca um novo capítulo no complexo caso, que envolve múltiplas mortes e alegações de encobrimento, destacando as contradições entre versões e a importância das provas periciais no processo judicial.