MP-AC denuncia cinco jogadores do Vasco-AC por estupro coletivo em alojamento de Rio Branco
Cinco jogadores do Vasco-AC denunciados por estupro coletivo no Acre

Ministério Público do Acre formaliza denúncia contra cinco atletas por violência sexual

O Ministério Público do Acre (MP-AC) apresentou formalmente denúncia à Justiça contra cinco jogadores de futebol da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) pelos crimes de estupro coletivo e estupro de vulnerável. A ação judicial abrange os atletas Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Brian Peixoto Henrique Ilziario, Alex Pires Bastos Júnior, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes.

Novos nomes revelados na denúncia judicial

A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco na última sexta-feira (13) e trouxe uma revelação importante: dois jogadores que não haviam sido divulgados anteriormente como suspeitos agora figuram formalmente na ação. Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, que inicialmente foram ouvidos como testemunhas durante as investigações, passaram a ser denunciados pelo MP-AC junto com os outros três atletas.

O caso remonta ao dia 14 de fevereiro, quando duas mulheres foram vítimas de violência sexual dentro do alojamento do Vasco-AC em Rio Branco. As investigações resultaram na prisão em flagrante de Erick no mesmo dia do crime e na decretação de prisão temporária para os outros três atletas no dia 17 daquele mês. Recentemente, a Justiça havia negado pedidos de liberdade para os suspeitos, que continuam negando todas as acusações.

MP-AC pede retorno à prisão para três atletas

Na decisão judicial, o Ministério Público solicitou que Alex Pires Bastos Júnior (que estava solto desde a última terça-feira, 10), Lucas de Abreu e Bernardo Barbosa retornem imediatamente para a prisão. O juiz substituto Ricardo Wagner de Medeiros Freire acatou o pedido e determinou o retorno dos três ao presídio, mantendo também a prisão de Erick e Brian.

Em sua fundamentação, o magistrado destacou: "Todavia, diante do aprofundamento das investigações e da análise mais detida do contexto fático, verifica-se que a gravidade concreta dos fatos, a dinâmica coletiva da violência e o risco à ordem pública e à instrução criminal recomendam a reconsideração da decisão anteriormente proferida".

Detalhes do crime e investigações policiais

Conforme descrito no processo, as vítimas foram convidadas por Erick Serpa e Brian Peixoto para irem até o alojamento do clube. Ao chegarem ao local, os cinco jogadores denunciados, juntamente com um sexto homem ainda não identificado, se aproveitaram do isolamento e da vulnerabilidade das mulheres.

A denúncia descreve que as vítimas foram submetidas a atos de violência, constrangimento e intimidação, resultando em graves violações à sua dignidade. O documento judicial afirma: "Conforme narrado, os episódios ocorreram em momentos distintos, no interior da mesma residência, dentro de um mesmo contexto fático, revelando uma dinâmica de exploração sexual coletiva, na qual múltiplos indivíduos passaram a disputar e impor práticas sexuais às vítimas mediante o emprego de violência física".

Repercussões e desdobramentos do caso

O caso foi registrado na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) em 14 de fevereiro, menos de 24 horas após o crime. Inicialmente, o inquérito policial havia indiciado apenas Brian e Erick, mas foi encaminhado ao Poder Judiciário na segunda-feira (9) com novas conclusões.

As vítimas relataram às autoridades medo de retaliação e precisaram ser orientadas por uma assistente social para formalizar a denúncia. Segundo informações da polícia, as mulheres inicialmente foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas posteriormente teriam sido submetidas aos abusos.

O delegado Alcino Souza, que atendeu o caso, resumiu: "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação".

Reações institucionais e investigações paralelas

O caso gerou ampla repercussão e diversas reações institucionais. Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotaria medidas cabíveis conforme o andamento das investigações.

Entretanto, um episódio chamou atenção negativamente: no dia 19 de fevereiro, durante sua estreia na Copa do Brasil, o time acreano entrou em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos na época. A ação foi repudiada conjuntamente pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram a homenagem como "inaceitável".

Além da investigação criminal principal, o MP-AC também analisa o gesto dos atletas durante o jogo e investiga possível omissão da justiça desportiva do estado. Os advogados dos jogadores, Robson Aguiar e Atevaldo Santana, afirmaram que ainda não foram formalmente comunicados sobre a denúncia do MP-AC, mas confirmaram que Lucas de Abreu e Bernardo Barbosa são atletas do Vasco-AC e foram ouvidos como testemunhas durante as investigações.