Chefe de esquema milionário de fraudes bancárias se entrega à Polícia Federal em Piracicaba
O principal alvo da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no dia 25 de março para combater um esquema de fraudes bancárias que pode ter causado prejuízos superiores a R$ 500 milhões, se entregou às autoridades nesta quarta-feira. Thiago Branco de Azevedo, conhecido como Ralado, de 41 anos e morador de Americana (SP), não foi encontrado inicialmente em sua residência, mas posteriormente se apresentou voluntariamente na delegacia da PF em Piracicaba (SP).
Juíza concede liberdade provisória para maioria dos investigados
A juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, determinou na terça-feira (31) a concessão de liberdade provisória para 15 dos 18 investigados que haviam sido presos durante a operação. Com essa decisão, apenas dois suspeitos permanecem presos: Pedro Guilherme Gosmim e Luiz Guilherme da Silva Fermino, ambos de Americana (SP), que teriam tentado fugir durante o cumprimento dos mandados judiciais em Angra dos Reis (RJ).
Entre os que foram soltos estão:
- Thiago Branco de Azevedo (Ralado), de Americana (SP)
- Rodrigo Nagao Schissatti, de São Paulo (SP)
- Alexander Amorim de Almeida, de São Paulo (SP)
- André Eduardo Brito Monteiro (Deco), de São Paulo (SP)
- Andressa Alves do Prado, de São Paulo (SP)
- Bruno Carvalho de Oliveira, de São Bernardo do Campo (SP)
- Débora de Souza Garcia, de São Bernardo do Campo (SP)
- Glaucia Juliana Iglesias de Azevedo, de Americana (SP)
- Juliana Ramos Destacio, de Osasco (SP)
- Julio Ricardo Iglesias, de Santa Bárbara d'Oeste (SP)
- Karla Regina Martins Secundo, de São Paulo (SP)
- Paulo Junior Ferraz, de Limeira (SP)
- Raphael Abrantes do Lago, de São Paulo (SP)
- Rivaldo José de Oliveira Zumbaio, de Americana (SP)
- Sarah Tais Barbosa, de Limeira (SP)
- Wagner Siscaro, de São Paulo (SP)
Justificativa judicial para as solturas
Em sua decisão, a magistrada argumentou que "diante do efetivo cumprimento proveitoso das medidas cautelares de busca e apreensão e sequestro de bens, o risco à instrução criminal antes ocasionado pela liberdade de atuação dos demais investigados resta amenizado". A juíza destacou ainda que não havia nos relatórios policiais indicativos de fuga, resistência à prisão ou tentativa de evasão por parte desses investigados.
Outros fatores que pesaram na decisão foram a ausência de violência ou grave ameaça na prática dos supostos crimes e a falta de antecedentes criminais registrados contra os investigados. No entanto, a juíza impôs uma série de medidas cautelares rigorosas:
- Comparecimento mensal em juízo
- Entrega do passaporte à Justiça
- Proibição de contato com os demais investigados
- Proibição de troca de endereço sem autorização judicial
- Proibição de operar contas bancárias em nome de terceiros
- Suspensão das atividades empresariais
- Afastamento de suspeitos que trabalham na Caixa Econômica Federal
Esquema milionário com múltiplos núcleos de atuação
Segundo as investigações da Polícia Federal, a organização criminosa praticava fraudes bancárias utilizando empresas de fachada, "laranjas" e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com valores considerados ínfimos, entre R$ 150 e R$ 200, para emprestar seus nomes, enquanto gerentes de banco recebiam "comissões" por participarem do esquema.
O grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários, com movimentações já identificadas de pelo menos R$ 47 milhões. A expectativa das autoridades é que as fraudes investigadas possam alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.
Thiago Branco de Azevedo, apontado como chefe do esquema, seria responsável pela coordenação das frentes de atuação, incluindo:
- Captação de "laranjas"
- Constituição de pessoas jurídicas
- Contato com gerentes bancários
- Orientação quanto à produção de documentos utilizados nas operações de crédito
O esquema estava organizado em quatro núcleos especializados:
Núcleo Bancário: Responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas, incluindo gerentes da Caixa Econômica Federal.
Núcleo Contábil: Atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis e comprovantes de endereço.
Núcleo Financeiro: Fazia a gestão de contas bancárias em nome de "laranjas", emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e realização de transferências.
Núcleo de Cooptação: Responsável por identificar e aliciar potenciais "laranjas" para figurarem como sócios de empresas.
Defesas dos investigados reafirmam inocência
Os advogados dos investigados soltos manifestaram confiança na Justiça e reafirmaram a inocência de seus clientes. Oseias Rodrigues do Carmo, advogado de Alexander Amorim de Almeida, afirmou que "nosso cliente demonstrará no decorrer do processo sua inocência".
Paulo Sarmento, defensor de Bruno Carvalho de Oliveira, considerou a decisão da magistrada acertada: "As medidas alternativas determinadas pela juíza são suficientes para garantir o prosseguimento do processo e permitem ao nosso cliente a possibilidade de demonstrar sua inocência."
Henrique Novais, advogado de Juliana Ramos Destacio, declarou: "Entendemos que são acusações infundadas e bem divergentes da realidade, e isso ficará claro com o deslinde do processo."
Debora Candida da Silva, defensora de Karla Regina Martins Secundo, ressaltou: "A Constituição Federal assegura a presunção de inocência, princípio que deve ser respeitado por todos. A defesa confia plenamente que, ao final das investigações, a verdade será restabelecida."
Caixa Econômica Federal colabora com investigações
Em nota oficial, a Caixa Econômica Federal afirmou que "atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro". A instituição destacou que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, alinhadas às melhores práticas de mercado e à legislação vigente.
A Caixa reafirmou seu compromisso com a integridade, transparência e proteção do patrimônio público, além da pronta adoção de todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para responsabilização dos envolvidos e ressarcimento de eventuais prejuízos.
Três investigados permanecem foragidos
Apesar das solturas e da entrega do principal suspeito, três alvos da Operação Fallax seguem foragidos: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP); Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP); e Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP). As investigações continuam em andamento para localizar e prender esses suspeitos.



