Chefe da Polícia Civil do ES é denunciado à PF por suspeita de coação a delegado
Chefe da PC-ES denunciado à PF por coação a delegado

Chefe da Polícia Civil do Espírito Santo é denunciado à Polícia Federal por suspeita de coação

O delegado José Darcy Arruda, que ocupa o cargo de chefe da Polícia Civil do Espírito Santo, foi formalmente denunciado à Polícia Federal sob a acusação de coação a testemunha. A notícia-crime foi apresentada pelo delegado Alberto Roque Peres, que já prestou depoimento em uma investigação federal, e o documento também foi encaminhado ao Ministério Público do Espírito Santo para análise e possíveis medidas legais.

Acusações detalhadas e contexto da denúncia

Além da suspeita de coação, a denúncia inclui outras graves acusações, como denunciação caluniosa, abuso de autoridade, prevaricação e obstrução de investigação de organização criminosa. Alberto Roque Peres afirmou que a ação de Arruda constitui uma retaliação direta à sua colaboração com a investigação federal, podendo comprometer seriamente a segurança de testemunhas envolvidas no caso.

O delegado Alberto concedeu uma entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, onde confirmou informações fornecidas por um criminoso que apontou um policial civil como o maior traficante do Espírito Santo. No entanto, antes da exibição da reportagem, Arruda utilizou suas redes sociais para anunciar que Alberto seria investigado pela Corregedoria da Polícia Civil, ação que o documento classifica como quebra de sigilo, uma vez que o depoimento foi dado sob confidencialidade.

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Investigação interna e operação relacionada

Na sexta-feira, 27 de setembro, uma investigação interna foi formalizada na Polícia Civil do Espírito Santo. O comunicado, assinado pelo próprio Arruda e enviado ao corregedor-geral Roberto Fanti de Resende, solicita a apuração das medidas adotadas por Alberto Roque Peres. Arruda afirmou que a corporação não tinha conhecimento prévio das informações repassadas à Polícia Federal, justificando a abertura do processo interno.

Este caso está intimamente ligado à Operação Turquia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo, em conjunto com a Polícia Federal, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco-ES). A operação investiga a atuação de policiais do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) e de traficantes associados a uma facção criminosa, suspeitos de desviar e comercializar armas e drogas apreendidas em operações policiais.

Entre os investigados está o policial Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, conhecido como Dudu, apontado como o maior traficante do estado. Indícios de irregularidades envolvendo este agente foram comunicados à Corregedoria desde 2017, mas apenas agora ganharam maior destaque devido às denúncias recentes.

Posicionamento das partes envolvidas

Em nota oficial, o delegado José Darcy Arruda negou veementemente as acusações de coação. Ele explicou que sua intenção foi convidar Alberto a apresentar os documentos citados em seu depoimento à Polícia Federal, visando esclarecer o caso. Arruda também informou que solicitou à Corregedoria um levantamento detalhado das investigações envolvendo Eduardo Tadeu e pediu o desarquivamento de documentos antigos relacionados ao policial, afirmando não conhecê-lo pessoalmente.

Por outro lado, o delegado Alberto Roque Peres e seu advogado, Fábio Marçal, optaram por não comentar o caso publicamente. A defesa de Eduardo Tadeu também não se manifestou sobre as acusações, mantendo silêncio em relação aos desdobramentos da investigação.

As informações sobre este caso foram divulgadas com exclusividade pela colunista Vilmara Fernandes, destacando a complexidade e a gravidade das acusações que envolvem altos escalões da segurança pública no Espírito Santo.

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