Cavalgada emocionante presta última homenagem a menina com câncer que teve recursos desviados
Uma cavalgada comovente marcou o sepultamento de Yasmin Amorim, de 12 anos, na tarde deste sábado (7) em Cascavel, no oeste do Paraná. O cortejo partiu da Capela Central da cidade em direção a um cemitério na região sul, reunindo familiares e amigos que prestaram uma despedida simbólica à menina, conhecida por sua paixão por cavalos.
Longa batalha contra doença agressiva
Yasmin enfrentava um tipo de câncer particularmente agressivo chamado neuroblastoma, diagnóstico recebido ainda em 2018, quando tinha apenas cinco anos de idade. A mãe, Daniele Aparecida Campos, compartilhou nas redes sociais que a filha estava internada no Hospital do Câncer de Cascavel antes de falecer na sexta-feira (6).
A trajetória de tratamento foi marcada por altos e baixos: após inicialmente entrar em remissão, a doença retornou em 2020, exigindo um novo protocolo que incluiu quimioterapia e transplante de medula óssea. Mesmo com períodos de recuperação que permitiram uma vida normal, o câncer insistiu em reaparecer, levando a família a buscar alternativas judiciais em 2024.
Desvio milionário que comprometeu tratamento
Em um dos capítulos mais tristes dessa história, a Justiça determinou que o governo do Paraná custeasse medicamentos importados avaliados em aproximadamente R$ 2,5 milhões. A empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi contratada para fornecer os remédios, mas subcontratou outra importadora que não cumpriu o acordo integralmente.
As entregas foram drasticamente incompletas: do medicamento Danyelza, necessário em seis ampolas, apenas uma chegou ao hospital. Já o Leukine teve apenas 10 das 60 caixas previstas entregues, muitas delas em versões genéricas não autorizadas.
Investigação e condenação dos responsáveis
A Polícia Civil rapidamente acionou o bloqueio das contas das empresas envolvidas, descobrindo que estavam praticamente sem saldo. As investigações revelaram que os responsáveis já tinham antecedentes por crimes de estelionato, utilizando a reputação de suas empresas para ganhar confiança e se aproveitar da estrutura pública.
Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux foram condenados a quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime inicialmente fechado, estando presos desde agosto do ano passado. Um terceiro envolvido foi absolvido.
A juíza responsável pelo caso destacou as graves consequências do crime: o atraso no tratamento obrigou Yasmin a usar morfina a cada uma hora para controlar as dores enquanto aguardava os medicamentos. O assistente de acusação, Allan Lincoln, afirmou que a sentença ainda pode ser reformada para incluir crimes mais graves, dada a dimensão do caso.
Impacto familiar e busca por justiça
Enquanto a Justiça tentava recuperar os valores desviados, o governo do Paraná autorizou uma nova compra emergencial da medicação. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024 sem resposta significativa e, em 2025, iniciou a segunda fase sem conseguir completá-la, permitindo o avanço da doença.
A mãe Daniele expressou sentimentos contraditórios: "Sinto alívio, mas também revolta. A gente revive toda a angústia daquela espera", disse ela, referindo-se à condenação dos responsáveis. A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão, sustentando que ele não participou de ações criminosas, enquanto a defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
O caso continua a reverberar na comunidade de Cascavel, servindo como triste exemplo dos desafios enfrentados por famílias que dependem do sistema público de saúde e da importância de mecanismos eficazes de fiscalização.