Operação da Polícia Civil em Cuiabá mira advogados suspeitos de exploração de familiares de detentos
Uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira (4) em Cuiabá, capital do Mato Grosso, teve como alvo dois advogados e um bacharel em Direito, suspeitos de envolvimento em um esquema de exploração após prometerem decisões judiciais favoráveis a pessoas presas. As identidades dos investigados não foram divulgadas pelas autoridades, mas as investigações apontam para uma prática criminosa que aproveitava a vulnerabilidade de familiares de detentos.
Esquema de exploração e promessas ilícitas
Segundo as informações da polícia, o grupo abordava familiares de detentos e garantia decisões judiciais favoráveis, alegando possuir influência com alguns membros do Judiciário local. Para isso, exigia o pagamento de valores elevados, sob o argumento de que o dinheiro seria destinado a pessoas com suposta capacidade de interferir nas decisões dos tribunais. As negociações ocorriam por meio de encontros presenciais e conversas por aplicativos de mensagens, com os investigados orientando que as tratativas fossem mantidas em absoluto sigilo.
Medidas judiciais e busca por provas
Na ação policial, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos Bairros Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó, em Cuiabá. Além disso, a operação incluiu três mandados de imposição de medidas cautelares diversas e nove ordens de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos suspeitos. As medidas cautelares determinadas pela Justiça incluem:
- Comparecimento periódico em juízo
- Proibição de manter contato com os demais investigados e com testemunhas
- Proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial, com entrega do passaporte
- Monitoramento eletrônico com uso de tornozeleira
As quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático têm como objetivo aprofundar a análise da movimentação financeira e das conversas mantidas pelos investigados, a fim de identificar a origem e o destino do dinheiro supostamente obtido de forma ilícita, além de compreender melhor a dinâmica operacional do grupo.
Acompanhamento da OAB e próximos passos
Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso (OAB-MT), informou que acompanhou a operação por meio do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP). A entidade destacou que o caso será avaliado pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para a aplicação das medidas cabíveis, conforme as normas profissionais e éticas da advocacia. A polícia continua as investigações para apurar a extensão do esquema e possíveis conexões com outros envolvidos.
