Advogado é preso por se passar por delegado e cometer estupro após falsa promessa de emprego no Distrito Federal
A Polícia Civil do Distrito Federal realizou na manhã deste sábado (14) a prisão de um advogado de 53 anos que se apresentava falsamente como policial para enganar, dopar e estuprar uma jovem de 23 anos, utilizando como isca uma promessa de emprego totalmente fictícia. O suspeito foi localizado e detido no bairro de Águas Claras enquanto tentava fugir com auxílio de um sargento da Polícia Militar do DF, que também foi autuado em flagrante pelo crime de favorecimento pessoal.
Vítima busca oportunidades em Brasília e cai em armadilha
Em entrevista exclusiva concedida à TV Globo, a jovem vítima relatou que chegou a Brasília há aproximadamente cinco meses, vinda de Manaus, no Amazonas, com o objetivo de buscar melhores oportunidades profissionais e realizar o sonho de viver na capital federal. A situação financeira não estava fácil, com a moça sobrevivendo através de trabalhos freelancer enquanto procurava emprego fixo.
"Eu vim pra cá porque sempre gostei muito da cidade, era um sonho. Estou fazendo freelancer para conseguir me manter aqui, mas não tem sido fácil", confessou a vítima durante o depoimento.
A tragédia começou quando uma amiga da jovem, que conhecera o homem através de um aplicativo de namoro, indicou seu contato após o suposto empresário perguntar se ela estaria interessada em trabalhar em uma de suas empresas. Como a amiga já possuía emprego, repassou o contato da vítima, que estava necessitando de oportunidades.
Falsa entrevista de emprego e identidade policial fraudulenta
Os contatos iniciais ocorreram por telefone, onde o advogado se apresentou como empresário do ramo de estética, joias, semijoias, roupas e salão de beleza, destacando o grande potencial de consumo feminino em Águas Claras. Em áudio enviado à vítima, o suspeito demonstrava urgência em contratar:
"Eu preciso muito de uma pessoa que goste da área de estética, de joias, semijoias, roupa, salão de beleza. Em Águas Claras a mulherada consome muito. É muita coisa, muita informação… não dá para falar tudo por áudio. Como você está de tempo hoje? Tem tempo para a gente sentar, jantar, comer alguma coisa?"
O encontro foi marcado para a última terça-feira (10) em Águas Claras, onde conversaram e lancharam em um restaurante. Durante a suposta entrevista de emprego, o homem afirmou ser delegado, exibindo o que parecia ser uma arma na cintura e carregando algemas, convencendo completamente a vítima de sua identidade policial falsa.
Sequência do crime e dopagem da vítima
Durante a conversa, a jovem mencionou que estava procurando uma cama para comprar, oportunidade que o suspeito aproveitou para dizer que possuía uma para vender e sugeriu que fossem até seu apartamento. A vítima inicialmente resistiu, mas foi coagida fisicamente.
"Quando a gente desceu da lanchonete, eu falei que não precisava ir. Mas ele pegou no meu braço e disse que eu ia. Com uma mão ele segurava meu braço e com a outra estava perto da arma. Eu pensei: se eu gritar ou tentar fugir, ele vai atirar", relatou aterrorizada.
Ao chegar ao apartamento, o homem ofereceu um refrigerante à vítima. Após consumir a bebida, ela começou a sentir mal-estar e perdeu completamente a consciência, despertando aproximadamente 24 horas depois, completamente nua dentro da residência do suspeito.
Fuga, denúncia e prisão do advogado
Após conseguir sair do local, a jovem pediu ajuda a um motorista de aplicativo que a levou até a 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, onde registrou a ocorrência. A Polícia Civil iniciou imediatamente as investigações, identificando rapidamente o suspeito.
Segundo a delegada Elizabeth Frade, responsável pelo caso, o homem foi preso quando tentava fugir com ajuda de um conhecido, o sargento da PMDF que foi autuado por favorecimento pessoal. As investigações revelaram que o advogado utilizava sistematicamente a falsa identidade de policial e empresário para ganhar a confiança de potenciais vítimas.
Durante as buscas realizadas na residência do investigado, os policiais apreenderam:
- Uniforme semelhante a fardas policiais
- Comprimidos que podem ter sido utilizados para dopar vítimas
- Outros elementos de interesse para as investigações
Repercussões jurídicas e possíveis outras vítimas
O advogado da vítima informou que já encaminhou o caso à Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, solicitando medidas disciplinares contra o profissional pelo uso indevido de sua condição jurídica. A vítima também compartilhou sua experiência em redes sociais, recebendo contatos de outras mulheres que relataram situações semelhantes com o mesmo indivíduo.
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga atualmente a possibilidade de existirem outras vítimas do advogado, que pode ter utilizado o mesmo modus operandi para atrair, dopar e violentar mulheres desempregadas ou em situação vulnerável. As autoridades reforçam a importância de denúncias e alertam sobre os riscos de aceitar propostas de emprego sem verificação adequada da identidade dos contratantes.
