Advogada é detida após postagem crítica nas redes sociais e liberada com fiança elevada
A advogada Áricka Rosalia Alves Cunha foi presa pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos em Cocalzinho de Goiás, após fazer uma crítica nas redes sociais sobre o arquivamento de um boletim de ocorrência registrado por ela. A profissional só foi liberada após pagar uma fiança de R$ 10 mil, em um caso que ocorreu na quarta-feira, 15 de maio, e tem gerado ampla repercussão.
Detenção filmada e relatos de constrangimento
O momento da prisão foi filmado por uma testemunha e compartilhado pela própria advogada. Em depoimento ao g1, Áricka destacou que o delegado a deixou esperando, junto com membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), enquanto ele jantava. "Ele saiu para jantar e deixou eu e todos os representantes da OAB esperando pela boa vontade dele. Foi uma situação lamentável e esdrúxula", afirmou. De acordo com Christian, a advogada foi autuada por desacato, e ele alegou que ela também cometeu os crimes de difamação e desobediência. A advogada chegou a ser algemada, com o delegado justificando que ela "não queria obedecer à ordem" ao ser conduzida.
Reação institucional e dificuldades na liberação
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que, diante da gravidade dos fatos, foram formalizadas representações por abuso de autoridade junto ao Ministério Público, além de comunicações à Corregedoria-Geral da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública. Áricka afirmou que precisou esperar cerca de seis horas até pagar a fiança e ser liberada. Ela também relatou que o delegado dificultou a soltura, exigindo que o pagamento fosse feito em espécie. "Exigiram que o pagamento fosse feito em espécie, o que dificultou a minha liberação porque 18h estava tudo fechado. Meu esposo teve que sair pegando dinheiro com a população, um pouquinho com cada pessoa. E quando fomos realizar o pagamento, o escrivão perguntou se seria via PIX", contou à TV Anhanguera.
Contexto do caso e investigações em andamento
O caso remonta a março, quando Áricka recolheu assinaturas de moradores para serviços de "tapa buraco" em Cocalzinho de Goiás. Após publicar o feito nas redes sociais, ela foi ofendida por um comentário que a chamou de "loira idiota", levando-a a registrar um boletim de ocorrência. No dia 26 de março, o delegado determinou o arquivamento provisório do registro, alegando falta de efetivo policial. Insatisfeita, a advogada pediu o desarquivamento e divulgou os pedidos nas redes sociais, o que motivou a ação do delegado. Após o ocorrido, a União Nacional das Advogadas Criminalistas e Acadêmicas de Direito (UNAA) enviou um requerimento à Corregedoria da Polícia Civil para apuração do caso. Em nota ao g1, a Polícia Civil informou que o caso está sob análise da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, com todas as providências necessárias sendo tomadas.



