Delegado aponta adolescente como 'mente' de estupros coletivos no Rio; polícia pede quebra de sigilo
Adolescente é 'mente' de estupros coletivos no Rio, diz delegado

Adolescente é apontado como 'mente' por trás de estupros coletivos em Copacabana

O delegado Angelo Lages, da 12ª DP de Copacabana, afirmou que considera um menor de idade investigado como a "mente" por trás de pelo menos dois casos de estupro no Rio de Janeiro. Segundo o delegado, a polícia representou pela busca e apreensão do adolescente por entender que ele tinha a confiança das vítimas e já havia mantido relacionamento anterior com duas delas, de 14 e 17 anos.

Investigado por ato infracional análogo ao crime

O caso está sob análise da Vara da Infância e da Juventude, e por se tratar de um menor, a identidade não foi divulgada. "A gente representou pela busca e apreensão, até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha confiança das vítimas. Então, a gente entende e entendia, na época que eu representei, que era necessário a apreensão dele", declarou Lages.

No entanto, o Ministério Público do Rio (MPRJ) não viu necessidade de mandar internar o adolescente. Em manifestação enviada na última segunda-feira (2) à Vara da Infância e da Juventude, o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da Capital, pediu que a Justiça negasse o pedido de apreensão desse menor.

Quatro maiores de idade já estão presos

Àquela altura, a 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente já tinha determinado a prisão dos quatro maiores de idade envolvidos no caso. Os mandados foram expedidos no sábado (28), e todos os quatro jovens se entregaram à polícia:

  • Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos (se entregou na 12ª DP)
  • João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos (se entregou na 10ª DP)
  • Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos (se entregou na 12ª DP)
  • Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos (se entregou na 54ª DP)

Os quatro são réus pelo crime de estupro coletivo, com o agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado. Vitor Hugo é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado do cargo nesta quarta-feira.

Polícia pede quebra de sigilo telefônico

O delegado Angelo Lages anunciou que vai pedir à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos réus pelo estupro da adolescente de 17 anos em Copacabana. Segundo os investigadores, todos os quatro jovens se entregaram à polícia sem apresentar os celulares e optaram por permanecer em silêncio na delegacia.

"Nós vamos solicitar as quebras telemáticas dos aparelhos dos acusados, já que eles não nos disponibilizaram qualquer acesso na hora que se apresentaram", afirmou Lages. O delegado não descarta pedir também a quebra do sigilo telemático dos outros dois casos de estupro denunciados.

No sábado (28), quando os suspeitos ainda eram considerados foragidos, agentes estiveram nos endereços ligados a eles, mas não encontraram celulares ou computadores. Ao solicitar a prisão dos quatro, a polícia também pediu a busca e apreensão dos aparelhos telefônicos.

Novas vítimas surgem

Entre segunda-feira e terça-feira (3), mais duas vítimas relataram que foram estupradas por integrantes do grupo. Na segunda-feira (2), uma jovem procurou a polícia e denunciou ter sido estuprada por pelo menos dois réus acusados no caso da adolescente quando ela tinha 14 anos (atualmente com 17).

Ela contou aos investigadores que mantinha um relacionamento com o menor investigado, que também é citado como participante do estupro coletivo já investigado. Segundo o depoimento, ao menos dois dos suspeitos teriam participado da violência sexual e gravado imagens do crime.

Nesta terça, mais uma jovem procurou a polícia e afirmou ter sido vítima de estupro por Vitor Hugo Oliveira Simonin. Ela prestou depoimento na 12ª DP acompanhada da mãe.

Detalhes do caso principal

Segundo o inquérito da 12ª DP, a vítima foi convidada por um adolescente, ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele na noite de 31 de janeiro, em Copacabana. No elevador, o rapaz avisou que mais amigos estavam no local e sugeriu que fariam "algo diferente", o que a vítima recusou.

Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o ex, outros quatro rapazes entraram no cômodo. A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem.

No entanto, segundo o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal, e tentou sair do quarto, mas foi impedida.

Provas coletadas

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor. As imagens também mostram o momento em que a vítima deixa o imóvel e o adolescente retornando ao apartamento fazendo gestos interpretados como de "comemoração".

Conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor, antes do crime, foram incluídas no inquérito. O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal.

Defesas se manifestam

O advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor Hugo, afirmou que o cliente nega participação no crime. "Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida", disse Máximo, acrescentando que Vitor confirma que estava no apartamento, mas nega ter mantido relação sexual ou cometido estupro contra a vítima.

A defesa de João Gabriel também se pronunciou: "João Gabriel e a defesa confiam que a Justiça, de forma isenta, irá apurar os fatos e decidirá pela improcedência da denúncia. João Gabriel nega estupro e não teve sequer a oportunidade de ser ouvido pela polícia".