Adolescente acusado de estupro coletivo em Copacabana se entrega à polícia no Rio
O adolescente de 17 anos, acusado de participar de um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, entregou-se voluntariamente na 54ª Delegacia de Polícia (DP) de Belford Roxo nesta sexta-feira, 6 de março de 2026. A movimentação ocorre após a Justiça autorizar, na véspera, um mandado de busca e apreensão contra o menor, que não foi localizado em sua residência e foi considerado foragido pelas autoridades.
Contexto do caso e envolvimento de outros acusados
O jovem é investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro, em um episódio que chocou a sociedade carioca. Os outros quatro indivíduos indiciados no caso — Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier, 19 anos, e Mattheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos — já haviam se entregado anteriormente à Justiça, entre terça e quarta-feira desta semana.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) alterou recentemente seu entendimento sobre o caso, passando a opinar favoravelmente pela internação do adolescente. Essa mudança de posição veio após novas denúncias de violência sexual surgirem contra os investigados. Anteriormente, o MPRJ havia discordado da Polícia Civil e se posicionado contra a aplicação de medida socioeducativa para o menor, embora tenha apoiado a prisão preventiva dos adultos envolvidos.
Detalhes do crime e repercussões
O crime teria ocorrido no dia 31 de janeiro, em um apartamento pertencente ao pai de Vitor Hugo, filho de José Carlos Simonin, ex-subsecretário da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio. Em meio à ampla repercussão do caso, Simonin foi exonerado de seu cargo, evidenciando as ramificações políticas e sociais do episódio.
Segundo as investigações, o menor, supostamente ex-namorado da vítima, teria atraído a adolescente de 17 anos para o local. Imagens de câmeras de segurança mostram que os quatro adultos chegaram ao apartamento antes da vítima, que foi informada no elevador sobre a presença dos amigos e a possibilidade de "algo diferente". A vítima recusou a proposta inicialmente.
Durante o encontro, enquanto o menor e a vítima mantinham relação sexual, os outros quatro entraram no quarto. Após insistência do adolescente, ela concordou que permanecessem no cômodo, desde que não a tocassem. No entanto, de acordo com o depoimento da adolescente, eles não respeitaram essa condição: tiraram a roupa, começaram a apalpá-la, forçaram-na a praticar sexo oral e a penetraram, além de chutá-la, socá-la e estapeá-la. A vítima tentou sair, mas foi impedida pelos agressores.
Procedimentos policiais e exames realizados
Após o ocorrido, a vítima procurou a 12ª DP de Copacabana para registrar uma queixa formal. Ela foi submetida a um exame de corpo de delito, que identificou lesões compatíveis com violência física, incluindo:
- Infiltrado hemorrágico
- Escoriação na região genital
- Sangramento vaginal
- Manchas nas regiões dorsal e glútea
Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA, visando comprovar a autoria dos crimes. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ingressou com uma denúncia por estupro com concurso de pessoas, e o Tribunal de Justiça do Rio expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
Operação policial e consequências institucionais
No último sábado, a polícia deflagrou a operação "Não é Não" para cumprir os mandados de prisão, mas nenhum dos quatro jovens adultos foi encontrado inicialmente, o que levou a um período de foragimento até suas entregas voluntárias.
As repercussões do caso se estenderam a instituições de ensino e esportivas:
- A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastaram o menor de idade e Vitor Hugo.
- A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu Bruno Felipe por 120 dias.
- O Serrano Football Club afastou João Gabriel e rompeu o contrato com o atleta.
O relatório policial ainda aponta que, após a vítima deixar o edifício, o menor foi visto fazendo gestos de comemoração aos amigos, um detalhe que reforça a gravidade das acusações e a necessidade de uma apuração rigorosa por parte das autoridades.
