Acusados de matar ialorixá que desafiou tráfico vão a júri popular na Bahia
Acusados de matar ialorixá vão a júri popular na Bahia

Acusados de assassinato brutal de ialorixá enfrentam júri popular na Bahia

Dois homens acusados pelo brutal assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, serão submetidos a júri popular nesta terça-feira, 24 de fevereiro. O julgamento ocorrerá a partir das 8h no estado da Bahia, marcando um capítulo crucial na busca por justiça para um crime que chocou o país e teve repercussão internacional.

Detalhes do crime que comoveu o Brasil

De acordo com o Ministério Público da Bahia, os réus Marílio dos Santos, apontado como mandante e chefe local do tráfico de drogas, e Arielson da Conceição Santos, identificado como um dos executores, serão julgados pelo crime de homicídio qualificado. As qualificadoras incluem motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responderá pelo crime de roubo em separado.

Mãe Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola, localizada na comunidade de Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. As investigações da Operação Pacific, conduzidas pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, revelaram que a líder religiosa foi alvejada com impressionantes 25 tiros de arma de fogo em várias partes do corpo.

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O crime ocorreu dentro da própria casa da vítima, onde estavam presentes três de seus netos, com idades de 12, 13 e 18 anos, tornando a situação ainda mais traumática e cruel. A execução foi motivada pela firme posição de Mãe Bernadete contra a expansão do tráfico no Quilombo Pitanga dos Palmares e pela retirada de uma barraca de propriedade de Marílio dos Santos, conhecido como "Maquinista", que era utilizada para o comércio ilegal de drogas na região.

Repercussão internacional e outros envolvidos

O assassinato de Mãe Bernadete ganhou dimensão internacional, com a então ministra Rosa Weber, à época presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, manifestando seu compromisso com o esclarecimento do caso. "Eu não esquecerei, e o CNJ continuará se empenhando pelo esclarecimento desse bárbaro assassinato", afirmou a magistrada poucos dias após o crime, destacando a gravidade do ocorrido.

Vale ressaltar que a líder quilombola e a ministra haviam se encontrado no dia 26 de julho daquele ano, poucas semanas antes do trágico episódio, em um encontro que agora ganha contornos ainda mais simbólicos diante dos acontecimentos. Além dos dois réus que enfrentam o júri popular, outros três indivíduos foram denunciados por participação no crime: Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus.

Estes acusados terão seus julgamentos realizados posteriormente, em datas ainda não definidas pelo sistema judiciário. O caso continua a mobilizar atenções sobre a violência contra líderes comunitários e a atuação do crime organizado em territórios tradicionais, representando um teste significativo para a justiça brasileira na proteção de direitos fundamentais e no combate à impunidade.

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