Tribunal do Acre mantém condenação por morte de três adolescentes em 2018
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decidiu, por unanimidade, manter a condenação de Clenilton Araújo de Souza e outros dois homens pela morte de três adolescentes ocorrida em agosto de 2018. A decisão negou o recurso apresentado pela defesa e confirmou a sentença original de 95 anos de prisão.
Detalhes do crime e das condenações
Os fatos remontam ao dia 5 de agosto de 2018, quando Vitor Vieira de Lima, de 18 anos, Amanda Gomes, de 14, e Isabele Silva Lima, de 13, desapareceram após saírem de casa no bairro Taquari, em Rio Branco, com destino à Expoacre. Os corpos dos jovens foram encontrados posteriormente em diferentes locais da cidade, com sinais de violência extrema.
Clenilton Araújo de Souza, Francimar Conceição da Silva e Luiz Gonzaga foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio triplamente qualificado, estupro e ocultação de cadáver. A investigação apontou que o ciúme teria sido a motivação principal do crime, conforme relatado pelo delegado Rêmulo Diniz, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Recurso da defesa e decisão do tribunal
A defesa de Clenilton, representada pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AC), apresentou um pedido de revisão criminal alegando novas provas que comprovariam sua inocência. Entre os argumentos, estava a isenção de participação direta no crime e o rastreio de sua localização em outro lugar na data dos assassinatos. Francimar Conceição da Silva também teria afirmado em audiência que Clenilton não teve envolvimento direto.
No entanto, o grupo de magistrados, liderado pelo relator desembargador Francisco Djalma, considerou que o pedido não possuía o grau de confiabilidade necessário para anular as decisões anteriores. "Evidenciada a presença de provas nos autos a respaldar a decisão tomada pelo júri quanto à condenação, deve ser preservada a decisão dos jurados, em respeito ao princípio constitucional da soberania dos vereditos", destacou a decisão.
Contexto das prisões e repercussão
Clenilton e Francimar foram presos em outubro de 2018 e estão detidos no presídio Francisco D’Oliveira Conde, em Rio Branco. Luiz Gonzaga, identificado como comerciante no bairro Taquari que atuava como informante de organização criminosa, foi capturado em março de 2019 após meses foragido.
O caso gerou grande comoção pública no Acre em 2018, com detalhes chocantes revelados durante o processo. Vitor foi esfaqueado e atirado em um poço ainda vivo, morrendo afogado. Isabele foi encontrada morta em uma área de mata, enquanto os ossos de Amanda foram localizados pela polícia em agosto daquele ano.
A instrução processual enfrentou dificuldades, incluindo adiamentos de audiências devido à localização de testemunhas. Com a decisão unânime do TJ-AC, a Justiça acreana reafirmou a gravidade do crime e a validade das condenações, mantendo os três réus responsáveis pelos assassinatos que abalaram a comunidade local.



