Absolvido por assassinato de Araceli é encontrado morto; irmão relembra dor familiar
Absolvido por morte de Araceli é encontrado morto; irmão fala

Absolvido por assassinato de Araceli é encontrado morto; irmão relembra dor familiar

Dante de Brito Michelini, um dos acusados e posteriormente absolvido pelo assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo em 1973, foi encontrado morto na última terça-feira (3) em um sítio em Meaípe, Guarapari, no Espírito Santo. O corpo estava decapitado e carbonizado, em um caso tratado como homicídio pela Polícia Civil, com a cabeça ainda não localizada.

Relembrando o caso emblemático

Em entrevista ao g1, Carlos Cabrera Crespo, irmão de Araceli, resumiu a dor familiar: "Tentaram culpar meus pais, levantaram mentiras sobre minha mãe e aquilo acabou com a nossa família". Araceli, então com 8 anos, foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em um dos crimes contra criança mais emblemáticos do país.

Carlos contou que, meses antes do crime, a família havia se mudado para o Bairro de Fátima, na Serra, Grande Vitória, quando Araceli desapareceu. Além da violência contra a menina, o julgamento do caso na Justiça foi alvo de muitas críticas pela forma como foi conduzido.

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Família enfrentou suspeitas e boatos

Os pais de Araceli eram imigrantes – o pai espanhol e a mãe boliviana – com pouca escolaridade. Segundo Carlos, eles enfrentaram não só a perda da filha, mas também boatos publicados sem comprovação. "Minha mãe chegou a ser acusada de envolvimento com tráfico de drogas, algo que nunca foi provado. Nunca acharam nada na nossa casa. Nada! Mas escreveram o que quiseram", disse.

Sem estrutura e sem parentes próximos no Brasil, a família se desfez. A mãe, Lola Cabrera, voltou para a Bolívia, onde se casou novamente e teve duas filhas. O pai, Gabriel Sanchez Crespo, casou com uma brasileira e teve dois filhos. A separação dos pais foi um dos desdobramentos trágicos do caso.

Julgamento e absolvição

Na época, a justiça chegou a condenar Dante, seu pai, Dante Barros Michelini, e um amigo, Paulo Helal. No entanto, o primeiro julgamento foi cancelado e, no segundo, o caso foi arquivado por falta de provas em 1985, após cinco anos de análise. O crime nunca teve responsáveis punidos.

Dante era membro de uma das famílias mais tradicionais do Espírito Santo, com o avô dando nome a uma das principais avenidas de Vitória. Em 1993, o pai dele negou envolvimento, afirmando que nem ele nem o filho conheciam Araceli ou sua família.

Legado de Araceli

Há mais de duas décadas, Carlos vive em Toronto, no Canadá, mas segue acompanhando as homenagens à irmã, cujo nome se tornou símbolo da luta contra a violência sexual infantil. A data de 18 de maio, quando Araceli foi assassinada, foi instituída como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pela Lei Federal 9.970/2000.

Carlos compartilhou um detalhe simbólico: "Minha neta nasceu dia 19 de maio. Minha irmã desapareceu no dia 18. Parece coisa de Deus". Ele enfatiza a importância de lembrar o caso, mas lamenta que a violência continue.

Investigação atual

A causa da morte de Dante de Brito Michelini ainda está sob investigação. Por meio do advogado, a família dele disse que não irá se manifestar. O caso voltou a ser lembrado esta semana, reacendendo debates sobre impunidade e justiça.

O assassinato de Araceli, há 53 anos, permanece como um marco trágico na história brasileira, com seu legado vivo na luta pelos direitos das crianças.

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