Justiça do Ceará impede 101 torcedores de assistir final após violência em clássico
101 torcedores impedidos de ver final após violência em clássico

Justiça do Ceará impede 101 torcedores de assistir final após violência em clássico

Pelo menos 101 torcedores dos times Ceará e Fortaleza, que foram presos antes de um Clássico-Rei no dia 8 de fevereiro deste ano, devem perder a final do Campeonato Cearense 2026, entre os dois clubes, marcada para este domingo (8 de março). O grupo virou réu na Justiça Estadual e segue preso, enfrentando acusações graves após confrontos violentos que chocaram a capital cearense.

Denúncia do Ministério Público e crimes imputados

A 11ª Vara Criminal recebeu a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) contra o grupo de torcedores no último dia 2 de março. Os torcedores viraram réus pelos crimes de lesão corporal de natureza grave, dano, associação criminosa, desobediência, corrupção de menor e praticar violência em eventos esportivos. O juiz ressaltou, na decisão, que sobre o crime de associação criminosa, "é de se ressaltar que os indícios de materialidade e autoria se revelam, no caso concreto, pelo histórico das torcidas organizadas na formação de grupos criminosos".

Na denúncia, a 144ª Promotoria de Justiça de Fortaleza detalhou que os 101 torcedores foram presos antes do Clássico-Rei do dia 8 de fevereiro. Naquele dia, unidades da Polícia Militar "deflagraram intervenção para conter violento confronto entre integrantes de torcidas organizadas dos dois clubes, com especial destaque para segmentos identificados como Força da Galera — TFG (antiga TUF) e Torcida Organizada do Ceará — TOC, além de dissidências correlatas", segundo o MPCE.

"A intervenção concentrou-se, dentre outros pontos, na Rua Doutor Valmir Pontes e adjacências do Bairro Edson Queiroz, registrando-se cenário de acentuada barbárie e grave ruptura da paz pública", acrescentou a promotoria, descrevendo um episódio que mobilizou forças de segurança em diversos bairros da cidade.

Outro grupo liberado com medidas cautelares

Enquanto 101 torcedores permanecem presos e serão impedidos de assistir à final, outro grupo, de 89 torcedores envolvidos em outra briga antes do Clássico-Rei, foi liberado pela Justiça do Ceará. Os torcedores foram soltos no dia 23 de fevereiro deste ano, e a informação foi repassada pelo Tribunal de Justiça do Ceará dois dias depois.

A 7ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza informou que para revogar as prisões preventivas foi considerada a primariedade dos réus, que não possuem antecedentes criminais ou infracionais, e não estão envolvidos em outros inquéritos ou ações penais. Esses torcedores, no entanto, devem cumprir medidas cautelares rigorosas, incluindo:

  • Proibição de deixar a cidade de Fortaleza sem autorização judicial
  • Comparecimento periódico à Coordenadoria de Alternativas Penais
  • Restrição de acesso a estádios de futebol em um raio de cinco quilômetros nos dias de jogos do Ceará e do Fortaleza

Investigação sobre ordem de facção criminosa

As autoridades cearenses investigam ameaças de uma facção criminosa proibindo brigas entre torcedores do Ceará e Fortaleza, espalhadas nas redes sociais após o jogo do dia 8 de fevereiro. Já no último Clássico-Rei, ocorrido no dia 1º de março, não houve registro de brigas, o que levanta questões sobre a possível influência dessas mensagens.

Após a circulação de mensagens com ordens atribuídas à facção, representantes de duas das maiores torcidas organizadas dos clubes cearenses gravaram vídeos renunciando aos cargos. Nas imagens, Weslley Paulo (conhecido como Dudu) e Anderson Xiboi afirmaram que não são mais líderes da Torcida Organizada Cearamor (TOC) e Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), respectivamente.

No entanto, não há ainda confirmação se as saídas foram causadas pelos "salves" da facção criminosa. Nas mensagens que circulam nas redes sociais, a facção teria proibido as brigas entre torcedores, pois os conflitos "trazem problemas para a organização [o grupo criminoso] e sistema para dentro da quebrada" — em referência à presença de policiais que são acionados para as brigas.

O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará sobre as mensagens da facção. Em nota, o órgão informou que a Polícia Civil do Ceará apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades policiais. A SSPDS reforça que setores de Inteligência das Forças de Segurança do Estado auxiliam os trabalhos policiais na investigação desse caso complexo que envolve violência esportiva e possível influência do crime organizado.