Mãe tentou pagar Pix para salvar filho autista de 4 anos de ex-vizinho em MG
Mãe tentou pagar Pix para salvar filho autista de ex-vizinho

Uma tragédia abalou a cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, na noite do último domingo (10), Dia das Mães. A mãe de um menino de 4 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), tentou proteger o filho oferecendo dinheiro via Pix ao ex-vizinho que invadiu sua casa armado. O suspeito, Felipe Palhares Queiroz, de 23 anos, não aceitou a oferta e acabou assassinando a criança com golpes de ripa de madeira.

O crime

Segundo a Polícia Militar (PM), Felipe invadiu a residência portando uma faca e uma ripa de madeira, anunciando um assalto. A mãe, Railda Franciely Silva Del Grande, de 32 anos, relatou em depoimento que, ao perceber a situação, ofereceu um Pix ao invasor na esperança de que ele deixasse o local e não fizesse mal ao filho Brenner Antony da Silva. "Eu achei que era alguém brincando. Aí eu perguntei pra ele se ele queria pix, que eu não tinha dinheiro. Aí ele falou assim: 'não, não quero'. E foi me levando pro fundo do quintal com uma faca no meu pescoço", contou Franciely à TV Integração.

Franciely foi agredida, amarrada e levada para os fundos do imóvel. Enquanto isso, o suspeito passou a agredir a criança. Após o ataque, ele colocou o menino em um saco plástico e o abandonou a cerca de 150 metros da casa. Brenner foi socorrido em estado grave e levado ao Hospital Frei Gabriel, mas não resistiu aos ferimentos.

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Mãe conseguiu fugir e pedir ajuda

Após ser amarrada no quintal, a mulher conseguiu se soltar e subir em um muro para pedir ajuda aos vizinhos e a uma tia que morava ao lado. Segundo a Polícia Civil, ela viu o suspeito deixando a casa carregando um saco, mas não imaginava que o filho estava dentro. "Eu falei para eles [vizinhos] pegarem o Brenner dentro da casa para mim, porque eu estava com medo de entrar. Aí as meninas falaram que a casa estava cheia de sangue e eu já comecei a desesperar. Eu falei, gente, então é meu filho que ele levou, é meu filho que ele levou [...] eu entrei em pânico, em desespero, eu não quis ver", contou Franciely.

A mulher foi ouvida ainda na noite do crime e, segundo o delegado de plantão, Bruno Giovannini de Paulo, estava em estado de choque. O suspeito, apesar de confessar os crimes à PM, permaneceu em silêncio durante o depoimento na delegacia. À Polícia Militar, Felipe afirmou que matou a criança "por vingança", alegando desentendimentos antigos com a mãe da vítima. A mulher disse que já não morava perto dele há cerca de cinco meses.

Revolta popular e prisão

Os policiais militares localizaram o suspeito caminhando pelas ruas do bairro Vila Esperança. Segundo a PM, moradores revoltados chegaram a se aproximar dele com enxadas, facões e pedaços de madeira antes da chegada das viaturas. O preso foi levado para a Delegacia de Plantão da Polícia Civil junto ao material apreendido. Ele teve a prisão ratificada pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos a animais.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Felipe foi encaminhado ao presídio de Frutal, onde permanece à disposição da Justiça. Ele já tinha passagem pelo sistema prisional em 2022 e foi investigado anteriormente por violência contra mulher, segundo a Polícia Civil.

Agressor matou cachorro afogado horas antes

Conforme a polícia, horas antes do ataque à mãe e filho, o suspeito já havia sido denunciado por moradores após matar um cachorro afogado em um lago da cidade. O rapaz teria amarrado um cão da raça pitbull pelas patas e jogado o animal no lago da Praça Leda Campos Borges, conhecida como Praça dos Lagos. O cachorro pertencia à avó dele. Após identificar o suspeito, a PM recebeu novas chamadas relatando que o mesmo homem teria agredido a mãe e o menino autista. Na casa, os militares encontraram manchas de sangue espalhadas pelos cômodos, além da ripa de madeira e uma faca sobre o sofá.

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