Um homem que se apresentava como marabô, uma espécie de líder espiritual ou bruxo em partes da África, foi preso no Mali acusado de fraude. Ele havia garantido aos torcedores que traria o título da Copa Africana de Nações (CAN) para a seleção nacional em troca de doações em dinheiro.
A promessa que não se cumpriu
Conhecido apenas como Sr. Sinayogo, o indivíduo atuava principalmente nas redes sociais, onde fez a promessa milagrosa. Ele assegurou que, com as contribuições financeiras dos apoiadores, usaria seus supostos poderes espirituais para levar o Mali à conquista do torneio continental.
De acordo com um de seus colaboradores, a campanha rendeu mais de 22 milhões de francos CFA, o que equivale a aproximadamente 210 mil reais na cotação atual. A arrecadação foi feita com base na esperança dos torcedores de verem sua seleção campeã.
A queda e a prisão
O plano desmoronou na última sexta-feira, quando a seleção do Mali foi eliminada nas quartas de final da competição. A equipe acabou derrotada pelo Senegal pelo placar de 1 a 0, encerrando sua campanha e, consequentemente, expondo a fraude.
Imediatamente após a derrota, uma multidão enfurecida se dirigiu à casa do suposto marabô. A polícia precisou intervir para retirar Sinayogo do local e evitar maiores conflitos.
No sábado, 12 de janeiro de 2026, ele foi formalmente detido pela acusação de fraude e levado sob custódia para a brigada de luta contra crimes cibernéticos, conforme confirmado por dois cinegrafistas que trabalhavam para ele e o visitaram.
Oportunismo e a lei
Um funcionário da unidade de crimes cibernéticos deixou claro que o charlatanismo é punível pela lei no Mali. No entanto, ele admitiu que prender Sinayogo enquanto a seleção ainda estava na competição teria sido uma tarefa difícil no fervor da CAN, quando a esperança nacional ainda estava viva.
Um criador de conteúdo próximo ao caso revelou um detalhe curioso sobre a trajetória do acusado. Inicialmente conhecido como um ativista político, Sinayogo se autoproclamou 'marabô' da noite para o dia e, com essa nova identidade, conseguiu acumular uma fortuna rapidamente, explorando a fé e o desejo esportivo da população.
O caso segue sob investigação das autoridades malinesas, servindo como um alerta sobre os riscos de fraudes que se aproveitam da paixão pelo futebol e de crenças populares.