30 anos do ET de Varginha: Justiça Militar revela que era homem em situação de rua
Caso ET de Varginha: Justiça Militar arquiva inquérito após 30 anos

Um dos episódios mais enigmáticos da história recente do Brasil está completando três décadas. O chamado "Caso do ET de Varginha", que alimentou a imaginação popular e debates ufológicos por anos, foi objeto de um inquérito da Justiça Militar, cujas conclusões foram agora relembradas. A investigação, conduzida pelo Superior Tribunal Militar (STM), determinou que toda a história se baseou em uma "interpretação equivocada".

O início do mistério em Minas Gerais

Tudo começou em um dia chuvoso, 20 de janeiro de 1996, na cidade de Varginha, localizada ao sul de Minas Gerais. Três jovens relataram ter avistado uma criatura estranha. Eles descreveram um ser que andava agachado, com uma cabeça desproporcionalmente grande para um humano, além de braços e pernas longos. O relato ganhou uma repercussão instantânea e massiva.

A história rapidamente ultrapassou os limites da cidade, virando reportagem no programa Fantástico e inspirando o imaginário nacional. Em pouco tempo, outras pessoas afirmaram ter tido encontros similares, transformando Varginha em um epicentro de pesquisas ufológicas e atraindo a atenção de investigadores do mundo inteiro.

A investigação da Justiça Militar e a identidade revelada

Diante do burburinho e de especulações que envolviam até mesmo o Exército Brasileiro, a Justiça Militar decidiu abrir um inquérito para apurar os fatos. A investigação coletou evidências e chegou a uma conclusão concreta e terrena: a figura assustadora descrita pelas testemunhas não era um visitante de outro planeta.

De acordo com os autos do processo, a pessoa avistada era, na realidade, Luis Antônio de Paula, um homem em situação de rua e portador de transtornos mentais, conhecido na região pelo apelido de "Mudinho". No fatídico dia de forte chuva, ele teria se aproximado de um muro buscando abrigo, o que pode ter contribuído para a imagem distorcida e o susto dos jovens.

O arquivamento do caso e o fim das especulações

Em 4 de julho de 1997, a juíza-auditora substituta do STM, Telma Queiroz, determinou o arquivamento definitivo do inquérito. Em sua decisão, a magistrada destacou o caráter inverossímil da história, que inclusive havia virado tema de uma esquete humorística no programa Casseta e Planeta.

O documento oficial deixou claro que não foi comprovado qualquer indício de crime, seja na esfera militar ou civil, relacionado à publicação de um livro sobre o incidente. A decisão também abordou diretamente os rumores que circulavam na época.

Especulava-se que militares teriam capturado os supostos extraterrestres e os levado para Campinas para estudos. Além disso, a morte do oficial da inteligência Marco Eli Chereze, por infecção generalizada, foi erroneamente ligada por alguns a um suposto contato com o ET. A Justiça Militar afirmou que tais suspeitas nunca foram comprovadas.

Um trecho da decisão é enfático: "Não ficara comprovada nenhuma ofensa direta à dignidade dos militares, uma vez que as afirmativas envolvendo Exército Brasileiro, além de inverídicas, não tiveram o condão de abalar o conceito sólido da instituição militar".

O STM disponibilizou a íntegra do inquérito para consulta pública, colocando um ponto final oficial em um dos capítulos mais curiosos do folclore brasileiro contemporâneo, agora explicado pela lente da realidade e da investigação judicial.