Vítima relata 'pior pesadelo' em julgamento de estupro do filho da princesa da Noruega
Vítima descreve 'pior pesadelo' em julgamento por estupro na Noruega

Vítima descreve 'pior pesadelo' em julgamento por estupro do filho da princesa da Noruega

Marius Borg Hoiby enfrenta 38 acusações, entre abusos, atos de violência e vandalismo. A maioria dos crimes teria sido cometida contra ex-parceiras, em um caso que choca a sociedade norueguesa e atrai atenção internacional devido aos laços reais do réu.

Depoimento emocionante em tribunal

Uma segunda suposta vítima relatou nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, perante o tribunal em Oslo, "o pior pesadelo" de sua vida ao descrever um estupro do qual acusa Marius Borg Hoiby, filho de Mette-Marit, a futura rainha da Noruega. O crime teria ocorrido, segundo a testemunha, quando ele viajava com o padrasto, o príncipe Haakon, para as ilhas Lofoten em 2023.

Nascido de uma relação anterior ao casamento de sua mãe com o herdeiro do trono norueguês em 2001, Marius Borg Hoiby é julgado desde a semana passada por 38 acusações, incluindo quatro estupros e agressões contra ex-parceiras. O réu de 29 anos nega as acusações mais graves, em particular os supostos estupros, que poderiam resultar em uma pena de até 16 anos de prisão.

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Detalhes do segundo caso de estupro

Nesta terça-feira, o tribunal de Oslo começou a examinar o segundo suposto estupro que, segundo a acusação, teria ocorrido em 8 de outubro de 2023, após uma festa em um apartamento nas ilhas Lofoten, onde Hoiby e o príncipe Haakon se hospedavam para praticar surfe.

Depois de manter relações sexuais consensuais, a suposta vítima, uma jovem que ele conheceu por meio do aplicativo Tinder, afirma ter acordado enquanto Hoiby iniciava novos atos sexuais, desta vez sem a sua permissão. "O pior pesadelo da minha vida", declarou ela, antes de afirmar que fechou os olhos "para não ter que presenciar" a própria agressão.

"Lembro de ter acordado enquanto ele estava em ação. Eu pensei: 'Não entendo como alguém pode ter relações sexuais com uma pessoa que está dormindo'", explicou a jovem. "Depois, tive a sensação de me dissociar, de sair do meu próprio corpo. Foi doloroso, meu corpo não estava preparado", acrescentou, em um depoimento que comoveu a sala do tribunal.

Evidências apresentadas pela Promotoria

Para demonstrar que os atos aconteceram quando a jovem não estava em condições de expressar oposição, o Ministério Público apresentou um vídeo, apreendido na casa de Hoiby e que ele havia gravado com seu telefone. Segundo o procurador-geral da Noruega, Sturla Henriksbo, o trecho de cinco segundos mostra a jovem dormindo no momento do crime.

A suposta vítima protestou contra as imagens, gravadas, segundo ela, sem seu conhecimento. A Promotoria também anexou ao processo os dados de seu relógio cardíaco para provar que estava dormindo antes de acordar repentinamente. "Segundo a acusação, a evolução da frequência cardíaca constitui o elemento mais determinante", destacou Henriksbo, enfatizando a força das evidências técnicas.

Contexto do julgamento e acusações

O julgamento de Marius Borg Hoiby começou a ser realizado pelo Tribunal Distrital de Oslo na semana passada após ele ter sido denunciado em agosto, ao fim de um inquérito de mais de um ano. A denúncia inclui 38 acusações, entre elas:

  • Estupro
  • Abuso em relacionamento íntimo contra uma antiga namorada
  • Atos de violência contra outra ex-parceira
  • Transporte de 3,5 quilos de maconha
  • Ameaças de morte
  • Infrações de trânsito

Promotores afirmaram que o réu pode enfrentar até 10 anos de prisão se for condenado no julgamento, que deve durar até meados de março. As investigações tiveram início em agosto de 2024, após ele ser preso por agredir a namorada. Os quatro estupros pelos quais é processado teriam acontecido em 2018, 2023 e 2024.

Posição da defesa e declarações do réu

O filho da futura rainha norueguesa se declarou inocente das acusações de estupro, mas anteriormente admitiu culpa por agressão e vandalismo no incidente com sua ex-namorada. Segundo ele, suas ações foram resultado da "influência de álcool e cocaína após uma discussão", tendo sofrido "problemas de saúde mental" e lutado "por um longo tempo contra o abuso de substâncias".

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O advogado de defesa Petar Sekulic afirmou, quando seu cliente foi denunciado, que ele "nega todas as acusações de abuso sexual, bem como a maioria das acusações relacionadas à violência". Ele acrescentou que Hoiby "apresentará um relato detalhado de sua versão dos acontecimentos perante o tribunal", prometendo uma defesa vigorosa.

Conexões reais e comportamento controverso

Hoiby é filho da princesa Mette-Marit — esposa de Haakon, primeiro na linha de sucessão ao trono da Noruega — de um relacionamento anterior com Morten Borg. O menino foi criado ao lado da princesa Ingrid Alexandra, 22 anos, e do príncipe Sverre Magnus, 20, seus meio-irmãos. Mas, ao contrário deles, não tem funções públicas oficiais e está fora da linha de sucessão real do país.

Apesar das tentativas de Mette-Marit de protegê-lo dos holofotes, ele tem feito manchetes ao longo dos anos. Segundo a mídia norueguesa, o royal, um loiro alto e robusto que cultiva um visual "bad boy" com cabelo penteado para trás, brincos, anéis e tatuagens, mantinha em sua companhia membros de gangues e da máfia albanesa de Oslo.

Declaração da família real

Em uma rara declaração, o príncipe Haakon anunciou em janeiro que ele e a esposa não pretendem comparecer ao tribunal e que a Casa Real não irá comentar o caso durante o processo. Ele ressaltou que Hoiby não faz parte da Casa Real e que, como cidadão norueguês, tem os mesmos deveres e direitos que qualquer outra pessoa.

Henriksbo enfatizou no ano passado que o fato de Hoiby ter conexão com a família real não fará com que ele seja tratado com "maior indulgência ou com maior severidade do que se atos semelhantes fossem cometidos por outros", garantindo a imparcialidade do processo. O príncipe Haakon disse ainda confiar que todos os envolvidos conduzirão o julgamento da forma mais ordeira, correta e justa possível, em um caso que testa os limites entre a vida privada e pública na monarquia norueguesa.