Traficante 'Rainha da Cetamina' é condenada a 15 anos por morte de Matthew Perry
'Rainha da Cetamina' condenada a 15 anos por morte de ator

Traficante 'Rainha da Cetamina' recebe sentença de 15 anos por envolvimento na morte de Matthew Perry

A traficante Jasveen Sangha, conhecida internacionalmente como a "rainha da cetamina", foi sentenciada nesta quarta-feira (8) a 15 anos de prisão por seu envolvimento direto na morte do renomado ator Matthew Perry. A sentença foi determinada pela juíza federal Sherilyn Garnett, que considerou a gravidade dos crimes relacionados ao tráfico de drogas voltado para clientes abastados e celebridades.

Vida dupla entre luxo e crime organizado

Jasveen Sangha, portadora de dupla nacionalidade britânica e americana, cresceu em uma família abastada na Califórnia e posteriormente estudou em Londres, onde concluiu um prestigiado MBA. Segundo investigações documentadas pela BBC, ela mantinha uma vida pública de ostentação, frequentando eventos de alto nível como o Oscar e o Globo de Ouro, viajando em jatos particulares e exibindo uma rotina luxuosa nas redes sociais.

Por trás dessa fachada de influenciadora social, no entanto, Sangha operava um sofisticado esquema de distribuição de drogas a partir de sua residência em North Hollywood. Durante buscas realizadas pelas autoridades, foram apreendidos mais de 80 frascos de cetamina, além de milhares de pílulas contendo metanfetamina, cocaína e Xanax.

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Rede de distribuição para celebridades e milionários

O esquema criminal comandado por Sangha atendia especificamente uma clientela rica e famosa, conforme detalhado no processo judicial. Bill Bodner, agente do departamento antidrogas dos Estados Unidos, afirmou à BBC que a traficante utilizava os lucros obtidos com o tráfico para financiar e manter sua imagem pública de influenciadora de luxo.

Relatos obtidos pela emissora britânica descrevem uma rotina intensa de festas em Los Angeles, muitas com duração de vários dias, onde o consumo de cetamina e outras substâncias era frequente entre participantes incluindo diversas celebridades. Curiosamente, muitos amigos próximos afirmaram desconhecer completamente suas atividades criminosas.

Envolvimento direto na morte de Matthew Perry

Em setembro de 2025, Sangha assumiu a culpa por cinco crimes relacionados ao tráfico de drogas durante o julgamento que investigava a morte de Matthew Perry. O ator, famoso por seu papel na série "Friends", foi encontrado morto em sua residência em 2023, aos 54 anos.

O laudo da autópsia concluiu que Perry faleceu devido aos "efeitos agudos da cetamina", que, combinados com outros fatores, causaram perda de consciência e subsequente afogamento em uma banheira de hidromassagem. A sentença aplicada a Sangha foi significativamente superior às punições recebidas por outros dois médicos envolvidos no mesmo caso.

Mecanismo de distribuição e outra vítima fatal

Durante o processo, Sangha confessou ter fornecido 51 frascos de cetamina a um intermediário chamado Erik Fleming, que posteriormente fez a substância chegar até Matthew Perry através do assistente pessoal do ator, Kenneth Iwamasa. A traficante admitiu ter conhecimento de que as drogas seriam destinadas especificamente ao ator.

Além do caso Perry, Sangha reconheceu ter comercializado cetamina para Cody McLaury, que faleceu poucas horas depois em decorrência de uma overdose. Registros investigativos mostram que um familiar da vítima chegou a enviar uma mensagem direta a Sangha informando que a droga vendida por ela havia causado a morte. Dias após este incidente, a traficante pesquisou na internet se a cetamina poderia ser listada como causa de óbito - comportamento que, segundo as autoridades, demonstrava sua consciência sobre os riscos letais envolvidos em suas atividades criminosas.

A condenação de Jasveen Sangha representa um marco significativo no combate ao tráfico de drogas voltado para elites, destacando os perigos da cetamina quando utilizada de forma recreativa. A substância, originalmente desenvolvida como anestésico e posteriormente utilizada como antidepressivo em contextos controlados, pode causar graves efeitos colaterais incluindo perda de consciência e, em casos extremos, levar à morte.

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