México em estado de alerta após morte de líder do cartel CJNG
O México permanece em estado de alerta nesta segunda-feira, com escolas fechadas em pelo menos oito estados, após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", em uma operação militar realizada no domingo. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população em meio à explosão de violência que provocou bloqueios em rodovias, incêndios de veículos e estabelecimentos comerciais, além do cancelamento de dezenas de voos de companhias aéreas dos Estados Unidos e do Canadá.
Bloqueios e tensão em alta
Segundo as autoridades mexicanas, quase 90% dos 229 bloqueios registrados em estradas pelo país, organizados por membros do cartel de El Mencho em resposta à sua morte, tinham sido desativados ao fim da noite de domingo. Os bloqueios e incêndios ocorreram principalmente no estado de Jalisco, onde a organização atuava, mas também se estenderam ao balneário de Puerto Vallarta, nos estados vizinhos de Michoacán, Puebla, Sinaloa, Guanajuato e Guerrero.
Além do fechamento de escolas em vários estados, o Poder Judiciário anunciou que os juízes podem manter os tribunais fechados se considerarem necessário, refletindo a gravidade da situação de segurança.
Quem era El Mencho e o impacto de sua morte
Ex-policial, El Mencho comandava há anos um dos cartéis mais influentes do México, o Jalisco Nueva Generación (CJNG), sendo considerado uma das figuras mais violentas do crime organizado. Segundo o Ministério da Defesa mexicano, ele morreu ao amanhecer de domingo na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, após sofrer ferimentos graves durante a operação e não resistir enquanto era transferido de avião para a Cidade do México. Vários outros membros do CJNG também morreram na ação.
O Ministério da Defesa informou ainda que foram apreendidos veículos blindados e armas, incluindo lançadores de foguetes, durante a operação. Três membros do exército ficaram feridos e foram levados para hospitais na Cidade do México.
Expansão do cartel e reações internacionais
Sob o comando de El Mencho, o cartel se expandiu rapidamente na última década, dedicando-se à produção e venda de drogas, além da extorsão de empresas locais. O grupo ganhou notoriedade por ataques ousados às forças de segurança e por espalhar medo em comunidades de diferentes regiões do país. Em poucos anos, ampliou sua atuação para outros países, tornando-se rival do Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín "El Chapo" Guzmán.
Os Estados Unidos chegaram a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho. Após sua morte, o governo dos EUA comemorou a ação, com o subsecretário de Estado, Christopher Landau, classificando-a como um "grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo". O Departamento de Estado emitiu um alerta para que cidadãos americanos permaneçam abrigados em vários estados mexicanos.
Coordenação governamental e apelo à calma
A presidente Claudia Sheinbaum afirmou, em publicação no X, que "há total coordenação com os governos de todos os estados" e pediu calma à população. Ela destacou o trabalho das forças de segurança, incluindo o Exército Mexicano e a Guarda Nacional, em prol da paz e segurança do país.
O governador de Jalisco, Pablo Lemus Navarro, relatou que a operação em Tapalpa provocou confrontos na região e em outras áreas, com grupos não identificados incendiando veículos e bloqueando vias, dificultando as ações das autoridades. A Embaixada do México em Washington também se manifestou, indicando que os EUA forneceram informações complementares para a operação militar, em um esforço de cooperação bilateral.



