Americana é morta a tiros por agente de imigração nos EUA: detalhes do caso
Mulher morta por agente de imigração nos EUA: caso tem vídeo

A morte da americana Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Fronteiras dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis, continua a gerar repercussão e investigações. O incidente, ocorrido no dia 7 de janeiro, foi registrado em vídeo e revela detalhes dramáticos do confronto fatal.

Detalhes do socorro e dos ferimentos

Documentos do Corpo de Bombeiros de Minneapolis obtidos pela imprensa detalham a gravidade dos ferimentos de Renee. Os socorristas relataram ter encontrado dois ferimentos por arma de fogo no lado direito do tórax da vítima. Outro ferimento foi observado no antebraço esquerdo, e havia a possibilidade de um projétil ter atingido o lado esquerdo da cabeça.

A avaliação médica inicial constatou que Renee não respirava, estava inconsciente e com pulso fraco. Os paramédicos retiraram-na do veículo e a colocaram inicialmente em um banco de neve próximo. Em seguida, ela foi movida para uma calçada para permitir um ambiente mais adequado para os procedimentos de reanimação, facilitar o acesso das ambulâncias e isolar a cena, que envolvia policiais e curiosos.

Médicos tentaram reanimá-la com manobras de Reanimação Cardiopulmonar (RCP) e outras ações de emergência. Ela foi transportada para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.

O vídeo e o momento do confronto

Um vídeo gravado por um agente do ICE, divulgado inicialmente pelo portal Alpha News e posteriormente compartilhado por autoridades, mostra os momentos que antecederam os disparos. Nas imagens, Renee aparece dentro de seu carro conversando com os agentes. Ela repete frases como "está tudo bem, cara" e "Eu não estou brava com você".

Uma segunda voz, aparentemente da esposa de Renee, é ouvida pedindo que o agente, que filmava com o rosto parcialmente coberto, mostre seu rosto. Ela também filma a placa do carro do casal, afirmando: "Está tudo bem, a gente não muda nossa placa do carro todas as manhãs... Será a mesma placa quando você voltar para conversar com a gente depois. [Somos] cidadãos dos Estados Unidos".

A situação se agrava quando outro agente, fora das imagens, exige por três vezes que Renee saia do veículo. A esposa tenta abrir a porta do passageiro, grita algo, e então Renee engata a ré do carro, aparentando tentar se afastar do agente. Ela acelera e, em seguida, disparos são ouvidos. O carro colide contra outros veículos estacionados.

Versões e investigação em andamento

O Departamento de Segurança Interna dos EUA emitiu um comunicado defendendo a ação do agente. A nota afirma que "manifestantes violentos atropelaram os agentes" e que um agente do ICE, "temendo por sua vida, pela vida de seus colegas e pela segurança pública, disparou em legítima defesa". A secretária do departamento, Kristi Noem, disse que os agentes estavam presos na neve e tentando desatolar o veículo quando foram atacados.

No entanto, relatos de testemunhas que ligaram para o serviço de emergência contam uma história diferente. Uma testemunha declarou ter visto "um agente do ICE disparar dois tiros em direção ao para-brisa contra a motorista". Outra pessoa afirmou categoricamente: "Ela está morta. Eles atiraram nela", acrescentando que os agentes atiraram porque Renee não abriu a porta do carro.

Diante da repercussão, o FBI assumiu a investigação do caso, centralizando todas as evidências. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, questionou publicamente a mudança, já que a investigação local já estava em andamento.

Repercussão política e detalhes pessoais

O caso ganhou contornos políticos. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, responsabilizou Renee pela própria morte, ecoando declarações do ex-presidente Donald Trump, que classificou o comportamento da mulher como "horrível". Vance afirmou que a "esquerda radical" era responsável pelo caso.

Renee Nicole Good nasceu no Colorado e vivia em Minneapolis com sua esposa, a poucos quarteirões de onde foi morta. Ela deixa três filhos: um menino de seis anos que morava com o casal e dois filhos adolescentes de um casamento anterior, que vivem em outra cidade com familiares.

Um detalhe adicional revelado é que o agente de imigração que efetuou os disparos, identificado como Jonathan Ross, sofreu uma hemorragia interna no tronco após o ocorrido, segundo informações de funcionários do ICE à CBS News. A extensão e gravidade do sangramento ainda não foram totalmente esclarecidas pelas autoridades.