Investigação sobre morte de Matthew Perry revela detalhes da 'rainha da cetamina'
Morte de Matthew Perry: detalhes da 'rainha da cetamina'

Investigadores concluem caso sobre morte de Matthew Perry e revelam papel da 'rainha da cetamina'

A investigação sobre a morte do ator Matthew Perry, encontrado sem vida em outubro de 2023, entrou em sua fase final e trouxe à tona detalhes cruciais sobre a atuação de Jasvin Sangha, recentemente condenada a 15 anos de prisão. Apontada como fornecedora das doses fatais que levaram à morte do astro, ela ganhou o apelido midiático de "rainha da cetamina" — um rótulo que, segundo amigos próximos, não reflete completamente sua história pessoal e envolvimento com o tráfico.

O trágico desfecho de um ícone da televisão

Matthew Perry, mundialmente conhecido por interpretar Chandler Bing na série "Friends", faleceu aos 54 anos após ingerir altas doses de cetamina. O laudo da autópsia indicou que o ator passou mal e acabou se afogando em uma banheira de hidromassagem. A substância, também conhecida como quetamina, é utilizada há décadas como anestésico em procedimentos médicos e, mais recentemente, no tratamento de depressão resistente. Apesar dessas aplicações terapêuticas, especialistas alertam consistentemente que o uso sem controle e supervisão médica pode levar rapidamente à dependência química e a graves consequências para a saúde.

Uma reportagem detalhada da BBC revelou que Jasvin Sangha mantinha um estilo de vida luxuoso em Los Angeles, marcado por festas frequentes e uma ampla circulação de substâncias ilícitas. Durante buscas em um imóvel vinculado a ela, agentes do FBI encontraram quantidades significativas de cetamina, cocaína, medicamentos controlados sem prescrição e até mesmo uma arma de fogo. Investigadores federais a classificaram como uma traficante com estoque considerável e acesso privilegiado a uma clientela de alto padrão, incluindo diversas celebridades do meio artístico.

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Contradições na imagem da acusada

Amigos e conhecidos de Sangha, no entanto, contestam veementemente a imagem de "chefona" do tráfico construída pelas autoridades. Um deles afirmou que ela não seria uma grande distribuidora em escala industrial, mas sim alguém inserido em um círculo social onde o uso recreativo da substância era comum e normalizado. Outro questionou abertamente por que Matthew Perry, com seu histórico público de dependência química, teve acesso tão facilitado à droga, levantando dúvidas sobre a rede de fornecedores que o cercava.

O ator havia sido inicialmente apresentado à cetamina de forma legal, durante um tratamento especializado em uma clínica de reabilitação na Europa. Posteriormente, já de volta a Los Angeles, ele passou a buscar a substância fora de ambientes médicos controlados, mesmo após receber recomendações explícitas para interromper completamente o uso. Apenas seis semanas antes de sua morte trágica, Perry ainda contava com acompanhamento de dois médicos — identificados como Mark Chavez e Salvador Placencia — que também foram indiciados no caso. Mensagens reveladas durante a investigação mostram Placencia escrevendo de forma depreciativa: "Vamos ver quanto conseguimos fazer esse idiota pagar".

A busca por alternativas mais baratas

Ao procurar alternativas mais acessíveis financeiramente para obter cetamina, Matthew Perry acabou chegando até Jasvin Sangha, que, segundo as investigações, atuava especificamente junto a uma clientela de celebridades e pessoas influentes. "Ela era, em essência, a chefona. Uma traficante com grande estoque", afirmou Bill Bodner, o agente federal que liderou a investigação. No total, cinco pessoas foram formalmente acusadas no caso. Sangha admitiu judicialmente ter fornecido as drogas que contribuíram diretamente para a morte do ator. Os dois médicos envolvidos também se declararam culpados perante a justiça.

A investigação concluiu que, embora exista clara responsabilidade criminal por parte de todos os envolvidos no fornecimento ilegal, Matthew Perry enfrentava uma longa e complexa batalha contra o vício e deveria ter recebido maior suporte e acompanhamento especializado ao longo de seu tratamento. A combinação de fatores — incluindo acesso facilitado a substâncias perigosas, histórico de dependência e possíveis falhas no sistema de apoio — criou uma tempestade perfeita com desfecho fatal.

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De herdeira privilegiada a suspeita de tráfico

Jasveen Sangha cresceu em um ambiente extremamente privilegiado. Seus avós eram multimilionários do setor da moda em Londres, e seus pais administravam com sucesso franquias de uma renomada rede de lanchonetes. Ela estudou na prestigiada Universidade da Califórnia, em Irvine, e posteriormente retornou ao Reino Unido para completar um MBA em instituição de elite. Para os investigadores, essa trajetória de vida levanta uma questão central e perturbadora: como alguém com esse perfil socioeconômico e educacional teria se tornado uma fornecedora de drogas em larga escala?

Segundo as acusações, Sangha teria vendido cetamina envolvida em pelo menos duas mortes: uma ocorrida em 2019 e a trágica morte de Matthew Perry em 2023. Pessoas próximas à acusada, no entanto, continuam contestando publicamente a imagem de grande traficante. Tony Marquez, que afirma ter sido amigo próximo de Sangha, declara que ela fazia parte de um grupo que consumia drogas recreativas socialmente, mas não era uma líder organizacional do tráfico. "Ninguém a conhecia como 'rainha da cetamina'. Isso é uma criação da mídia", disse ele categoricamente.

Outro amigo, Jash Negandhi, afirmou que nunca soube de qualquer envolvimento dela com venda sistemática de drogas. Ele também levanta dúvidas específicas sobre o caso de Matthew Perry: "Eu não acho que foi ela que iniciou a transação", disse, mencionando o histórico conhecido de dependência química do ator e sugerindo que outros fatores e pessoas podem ter sido determinantes no desfecho trágico.