Maduro e esposa enfrentam segunda audiência nos EUA por graves acusações de narcotráfico
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, devem comparecer perante a Justiça americana pela segunda vez nesta quinta-feira, 26 de março. A dupla foi capturada em Caracas no dia 3 de janeiro e transportada para os Estados Unidos, onde enfrenta um julgamento histórico.
Acusações graves e primeira audiência
Na primeira audiência, realizada em 5 de janeiro em Manhattan, Maduro declarou-se inocente de quatro acusações sérias. As imputações incluem participação em conspiração com grupos considerados terroristas, conspiração para tráfico de cocaína para os Estados Unidos e posse e uso de armas ilegais, como metralhadoras, para conduzir a suposta conspiração. Cilia Flores também se declarou inocente.
Após a chegada a Nova York, o casal foi encaminhado para a sede da DEA, a agência antidrogas americana, e está detido no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn. A captura ocorreu após o restabelecimento das relações diplomáticas entre Caracas e Washington em março, após sete anos de hiato.
O juiz Alvin Hellerstein: uma figura central no processo
O juiz responsável pelo caso é Alvin Hellerstein, de 92 anos, que supervisionou a primeira audiência de Maduro. Com uma carreira extensa, Hellerstein foi nomeado para o Distrito Sul de Nova York em 1998 pelo então presidente Bill Clinton. Ele é conhecido por lidar com casos de alto perfil.
- Presidiu casos civis relacionados aos ataques de 11 de setembro de 2001.
- Bloqueou tentativas do governo Trump de deportar supostos membros de gangues venezuelanos sem audiência.
- Rejeitou pedido de Trump para transferir ação sobre suborno para a Justiça federal.
- Julgou disputa entre Paris Hilton e uma empresa italiana de lingerie.
- Sentenciou Charlie Javice a mais de sete anos de prisão por fraude e Bill Hwang a 18 anos.
- Ordenou a liberação de fotografias documentando tortura de detentos no Iraque e Afeganistão.
Na segunda audiência, Hellerstein analisará se Maduro pode usar fundos do governo venezuelano para sua defesa, após o Departamento do Tesouro dos EUA revogar uma exceção às sanções financeiras contra a Venezuela em fevereiro.
A equipe de defesa: advogados de renome internacional
Maduro contratou o famoso advogado americano Barry Pollack, conhecido por defender Julian Assange, fundador do WikiLeaks, e conseguir sua libertação em 2024. Pollack é descrito como minucioso e profundo, com histórico de obter absolvições e reverter condenações erradas.
Cilia Flores é representada separadamente por Mark Donnelly, ex-promotor do Departamento de Justiça com experiência em crimes do colarinho branco. Donnelly afirmou que Flores sofreu lesões significativas durante a captura e pediu um exame médico completo.
A acusação: procuradoria federal em ação
A acusação está a cargo da Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York, chefiada por Jay Clayton. Uma das principais advogadas no caso é Amanda Houle, chefe da divisão criminal, que retornou recentemente ao órgão. Durante a primeira audiência, o vice-procurador federal Kyle Wirshba falou em nome do governo.
Wirshba tem histórico de lidar com casos importantes de tráfico internacional de drogas, incluindo processos contra ex-aliados de Maduro e gangues venezuelanas. Analistas afirmam que o processo pode levar vários meses até o julgamento definitivo, destacando a complexidade e o impacto internacional deste caso.



