Maduro e ex-primeira-dama enfrentam segunda audiência em processo nos Estados Unidos
O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou nesta quinta-feira, 26 de setembro, por volta das 12h30, horário de Brasília, a um tribunal de Nova York para uma nova audiência na Justiça dos Estados Unidos. Maduro, que foi capturado pelas forças americanas durante uma operação em janeiro, enfrenta atualmente acusações graves de narcoterrorismo e crimes relacionados a narcóticos na cidade de Nova York.
Acusações e defesa em foco
A expectativa é que a defesa de Maduro tente derrubar as acusações de tráfico de drogas apresentadas contra ele na audiência. Manifestantes ocuparam a entrada do tribunal onde ocorrerá a sessão, pedindo a libertação do ditador. Pouco antes, em sua reunião de gabinete, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo irá apresentar novas acusações contra o venezuelano.
A mulher do ex-ditador, Cilia Flores, também está presa e responde a acusações criminais nos EUA. Os dois já passaram por uma audiência poucos dias após a prisão. À época, Maduro disse ser um "prisioneiro de guerra".
Condições de detenção e vida na prisão
Maduro está detido no Metropolitan Detention Center, uma penitenciária federal conhecida pelas condições extremas e por abrigar presos famosos. O ex-ditador está sozinho em uma cela e não tem acesso a jornais ou internet. Uma fonte do governo venezuelano disse à agência France Presse que Maduro tem passado o tempo lendo a Bíblia e que é chamado de "presidente" nos corredores.
Ele tem autorização para usar o telefone para falar com familiares e advogados, com limite de 15 minutos por chamada. Na segunda-feira, 23 de setembro, o filho do ex-ditador, Nicolás Maduro Guerra, disse que o pai está bem, animado e cheio de energia. "Vamos ver um presidente esbelto e atlético, que se exercita todos os dias", declarou.
Questões financeiras e figuras chave no processo
Além das acusações criminais, um dos principais pontos da audiência desta quinta-feira deve ser a discussão sobre quem vai custear a defesa de Maduro e Cilia. O governo venezuelano quer assumir os gastos, mas precisa de autorização da Casa Branca por causa das sanções impostas ao país.
Maduro escolheu como advogado Barry Pollack, o mesmo que atuou no caso do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, e ajudou a tirá-lo da prisão. Pollack já pediu que a Justiça dos EUA arquive o processo contra Maduro, alegando interferência do governo americano no pagamento dos honorários advocatícios. Para a defesa, a exigência viola direitos constitucionais do venezuelano.
A segurança no entorno do tribunal deve ser reforçada para a audiência, como ocorreu em janeiro, logo após a prisão. O caso é conduzido pelo juiz Alvin Hellerstein, de 92 anos, conhecido pela longa carreira no Judiciário, acrescentando um elemento histórico ao julgamento.



