Jean-Luc Brunel: o agente francês que liga o Brasil ao escândalo Epstein
Jean-Luc Brunel e o elo do Brasil com o caso Epstein

Jean-Luc Brunel: o agente francês que liga o Brasil ao escândalo Epstein

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um volume massivo de documentos relacionados ao caso do bilionário Jeffrey Epstein, acusado de operar uma rede de tráfico e abuso sexual de jovens, muitas delas menores de idade. Os arquivos, que incluem mais de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos, foram disponibilizados na sexta-feira (30) e representam a maior divulgação já feita pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o assunto.

Entre as revelações, os novos documentos citam diversos famosos e personalidades americanas que faziam parte do círculo de Epstein, além de trazerem menções específicas ao Brasil. Jeffrey Epstein morreu em 2019, após ficar um mês preso, e sua morte foi oficialmente classificada como suicídio.

Quem foi Jeffrey Epstein e quais crimes ele cometeu?

Jeffrey Epstein foi um financista bilionário norte-americano que se tornou internacionalmente conhecido por acusações graves de abusos sexuais contra meninas menores de idade. Ele mantinha conexões com uma ampla rede de personalidades influentes e celebridades.

As acusações contra Epstein incluem abusos sexuais de meninas menores entre 2002 e 2005 na Flórida. Em 2008, ele se declarou culpado por exploração de menores e cumpriu 13 meses de prisão após um acordo judicial. No entanto, em 2019, um juiz considerou esse acordo ilegal, levando à nova prisão de Epstein por abuso e por operar uma rede de exploração sexual.

Epstein faleceu na prisão em agosto de 2019, e as acusações contra ele foram arquivadas, embora investigações sobre outros envolvidos continuem em andamento. Advogados das vítimas também prometeram buscar indenizações nos tribunais.

O que os documentos trazem sobre o Brasil?

Os arquivos liberados recentemente mencionam o Brasil em vários contextos. Parte dos documentos indica que Epstein tinha um agente que teria conseguido garotas menores de idade para o bilionário durante suas visitas ao país a trabalho.

Segundo a BBC, ao menos quatro brasileiras, incluindo adolescentes, teriam sido levadas para uma festa em uma das propriedades de Epstein nos Estados Unidos. A emissora britânica já havia informado anteriormente que pelo menos 50 brasileiras passaram pela mansão do bilionário.

Em um e-mail de 2016, Epstein discutiu com outra pessoa a possibilidade de comprar uma agência de modelos no Brasil. Ele também cogitou a criação de um concurso de beleza com milhares de garotas e um investimento de US$ 500 mil. Em outra troca de mensagens, um parceiro do bilionário expressou interesse em formar uma sociedade para adquirir uma revista de moda no país.

Quem foi Jean-Luc Brunel e qual o elo dele com o Brasil?

Os documentos do caso que mencionam o Brasil citam uma suposta intermediação para que Epstein conseguisse prostitutas quando quisesse. Segundo os arquivos, a ligação com o país era facilitada pelo agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, um dos principais parceiros de Epstein.

Jean-Luc Brunel era um agente de modelos com atuação no mercado internacional da moda. Ele foi cofundador da agência MC2 Model Management nos Estados Unidos, criada com financiamento de Epstein. Brunel também era suspeito de estar envolvido na rede global de pedofilia organizada por Epstein.

Brunel foi preso em 2020 em Paris. Dois anos depois, ele foi encontrado morto em sua cela na prisão, enquanto aguardava julgamento. As autoridades locais classificaram o caso como suicídio.

Há menções a personalidades brasileiras?

Os arquivos mostram que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi elogiado em uma troca de e-mails. O presidente Lula, o empresário Eike Batista e a modelo Luma de Oliveira também são mencionados, embora essas citações não tenham relação direta com o escândalo sexual.

Uma troca de e-mails entre o estrategista Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, e Epstein, datada de 2018, fala sobre Bolsonaro. Em uma mensagem atribuída a Epstein, ele afirma: Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO.

Em outra conversa, Epstein diz a Bannon que o filósofo Noam Chomsky havia ligado para ele da prisão, ao lado de Lula — afirmação que é negada tanto pela esposa de Chomsky, Valeria, quanto pelo Palácio do Planalto. Em outra troca de e-mail, Epstein questiona Jean-Luc Brunel sobre a ex-mulher do bilionário brasileiro Eike Batista, e Brunel responde: Eu mencionei a Luma de Oliveira. Ele era ou é casado com ela.

Outras revelações dos arquivos

Os novos documentos também trazem informações sobre outras figuras proeminentes:

  • Donald Trump: O ex-presidente dos Estados Unidos aparece citado milhares de vezes nos arquivos, incluindo uma denúncia de suposto estupro contra uma garota menor de idade, que ele nega.
  • Ex-príncipe Andrew: Inclui fotos embaraçosas e e-mails em que ele convida Epstein para conversar no Palácio de Buckingham.
  • Elon Musk: Em 2013, Musk enviou um e-mail a Epstein perguntando sobre uma visita à sua ilha, embora ele tenha declarado que recusou convites anteriores.
  • Bill Gates: Epstein sugeriu em um e-mail que Gates se relacionou com mulheres russas e contraiu uma infecção sexualmente transmissível, acusações que Gates nega.
  • Peter Mandelson: O lorde inglês casado com um brasileiro renunciou após e-mails indicarem pagamentos de Epstein.

Reclamações das vítimas

O Departamento de Justiça dos EUA chegou a retirar do ar milhares de documentos após vítimas afirmarem que suas identidades foram expostas. Advogados destacaram falhas na edição dos arquivos, que incluíram e-mails, fotos nuas, nomes e rostos de possíveis vítimas.

As sobreviventes emitiram uma declaração qualificando a publicação como ultrajante, ressaltando que elas não deveriam ser identificadas, analisadas e novamente expostas a traumas.