Incêndio criminoso em bairro judeu de Londres pode ter ligação com Irã, diz polícia
A Polícia Metropolitana de Londres está investigando o possível envolvimento do Irã em um incêndio criminoso que destruiu quatro ambulâncias de uma organização judaica voluntária na madrugada desta segunda-feira, 23 de março de 2026. O ataque ocorreu no bairro de Golders Green, área nobre no norte da capital inglesa conhecida pela forte presença da comunidade judaica, e está sendo tratado como um crime de ódio antissemita.
Detalhes do ataque e investigação em andamento
Imagens de câmeras de segurança capturaram três indivíduos mascarados ateando fogo em uma das ambulâncias pertencentes à Hatzola Northwest, serviço de emergência médica judaico. O incêndio foi reportado às autoridades por volta das 1h45 no horário local, equivalente às 22h45 de domingo no horário de Brasília. Ao chegarem ao local, os agentes constataram que quatro veículos haviam sido completamente danificados pelas chamas.
O fogo foi tão intenso que causou a explosão dos cilindros de oxigênio dentro das ambulâncias, resultando na quebra de janelas de um prédio residencial adjacente. Cerca de 34 moradores precisaram ser evacuados de suas casas enquanto os bombeiros combatiam as chamas, mas todos já foram autorizados a retornar.
Reivindicação de grupo ligado ao Irã e reações das autoridades
Um grupo alinhado ao Irã, identificado como Movimento Islâmico do Povo da Mão Direita (Harakat Ashab al-Yamin al-Islamiya), reivindicou a autoria do ataque através do Telegram, embora não tenha apresentado provas concretas. A polícia londrina confirmou estar ciente dessa declaração e trabalha para verificar sua autenticidade.
O caso ainda não foi formalmente classificado como ato terrorista, mas a equipe antiterrorista da MetPol está conduzindo as investigações. Até o momento, nenhuma prisão foi realizada, e as buscas pelos três suspeitos continuam ativas.
Impacto na comunidade e condenação política
O ataque gerou forte comoção e indignação em todo o Reino Unido. O primeiro-ministro Keir Starmer descreveu o episódio como "profundamente chocante e antissemita" em uma publicação na rede social X, anteriormente conhecida como Twitter. Ele afirmou que seus pensamentos estão com a comunidade judaica e ressaltou que "o antissemitismo não tem lugar em nossa sociedade".
Outras autoridades também se manifestaram:
- O secretário de Saúde, Wes Streeting, classificou o ataque como um "ato de maldade" no coração da comunidade judaica londrina.
- O ministro da Habitação, Matthew Pennycook, declarou que, se confirmado como crime de ódio, o incidente representaria "uma afronta não apenas à comunidade judaica, mas um ataque a todos nós".
Cenário de aumento de ataques antissemitas no Reino Unido
Este incidente ocorre em um contexto de crescimento preocupante de ataques antissemitas no território britânico. Dados da organização não governamental Community Security Trust revelam que aproximadamente 3.700 atos antissemitas foram registrados em 2025, representando um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Este é o segundo maior número anual de casos já documentado pela entidade.
Moradores do bairro de Golders Green relataram terem ficado em estado de choque com a violência do ataque. Mark Reisner, residente local, contou à emissora Sky News que "foi uma explosão muito alta" e que "você praticamente sente isso no corpo". Vários vizinhos, segundo ele, ficaram "em estado de choque e confusão" após o ocorrido.
A polícia mantém todas as linhas de investigação abertas enquanto busca esclarecer as motivações e responsabilidades por este grave ataque à comunidade judaica de Londres.



