Príncipe Harry é processado por ONG que fundou na África por campanha difamatória
Harry processado por ONG que fundou na África por difamação

Príncipe Harry enfrenta ação judicial da ONG que ajudou a fundar na África

O príncipe Harry transformou-se de fundador a réu em um processo judicial envolvendo a organização de caridade que ele mesmo ajudou a criar. A ONG Sentebale, estabelecida há aproximadamente duas décadas em homenagem à princesa Diana, ingressou com uma ação por difamação contra o duque de Sussex no Tribunal Superior de Londres nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026.

Acusações de campanha coordenada de difamação

Em comunicado oficial, a Sentebale afirmou que recorreu à Justiça britânica após sofrer danos significativos à sua imagem e operações. A organização declarou que busca intervenção, proteção e reparação do tribunal devido a uma campanha coordenada de difamação na mídia, iniciada em 25 de março de 2025, que teria causado interrupções operacionais e prejuízos à sua reputação, liderança e parceiros estratégicos.

Harry responde ao processo ao lado de Mark Dyer, amigo próximo e ex-integrante do conselho da instituição, com a ação envolvendo acusações específicas de calúnia e injúria contra a entidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

História da organização e crise interna

Criada em 2006 por Harry e pelo príncipe Seeiso do Lesoto, a Sentebale atua em Botsuana e no Lesoto com foco no apoio a jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles que vivem com HIV e Aids. Esta causa está diretamente ligada ao legado humanitário da princesa Diana, mãe de Harry.

O processo judicial representa mais um desdobramento de uma crise interna que se arrasta desde 2023. Divergências sobre a gestão e a estratégia de arrecadação de recursos provocaram um racha significativo na liderança da organização. Em março de 2025, Harry e Seeiso deixaram seus cargos de patronos em apoio a membros do conselho que haviam renunciado após conflitos com a presidente da entidade, Sophie Chandauka.

Acusações mútuas e investigação prévia

Na época da saída dos fundadores, eles afirmaram que a relação com a dirigente havia se tornado irreparável. Chandauka, por sua vez, acusou Harry de liderar uma campanha de intimidação e assédio para forçá-la a deixar o cargo, o que ampliou a crise e levou o caso ao escrutínio público.

Estas acusações já haviam sido alvo de investigação da Comissão de Caridade da Inglaterra e do País de Gales, concluída no ano passado. O órgão afirmou não ter encontrado evidências de assédio moral, perseguição ou misoginia de forma generalizada na organização, nem conduta imprópria por parte de Harry. Contudo, o relatório criticou a condução do conflito por ambos os lados e apontou danos concretos à reputação da entidade.

Em nota divulgada na época, um porta-voz do príncipe afirmou que as acusações eram infundadas. Já a comissão destacou que a incapacidade de resolver disputas internamente prejudicou gravemente a reputação da instituição e colocou em risco a confiança do público em suas atividades.

Posição incomum para Harry e contexto familiar

O caso atual coloca Harry em uma posição incomum em sua trajetória jurídica. Nos últimos anos, ele tem atuado principalmente como autor em ações judiciais contra veículos de imprensa britânicos, em processos ligados a invasão de privacidade e escutas ilegais. Desta vez, aparece no banco dos réus defendendo-se de acusações.

Em paralelo, a relação de Harry com a família real britânica continua delicada. Documentários, entrevistas e sua autobiografia detalharam críticas à monarquia, incluindo acusações contra o rei Charles, William e a rainha Camilla, abrangendo temas sensíveis como racismo e agressão. Apesar das tensões públicas, o príncipe já manifestou desejo de reconciliação familiar, ainda que sinais de reciprocidade permaneçam incertos.

A ação judicial da Sentebale contra seu cofundador marca um capítulo inesperado na história da organização criada para honrar o legado humanitário da princesa Diana, colocando em evidência as complexidades da gestão de instituições de caridade internacionais e os desafios pessoais enfrentados por membros da realeza em seus empreendimentos filantrópicos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar