O príncipe Harry, filho do rei britânico Carlos III, negou de forma categórica nesta quarta-feira as acusações apresentadas contra ele pela organização não governamental africana Sentebale. A instituição de caridade, que ele mesmo cofundou em homenagem à sua mãe, a princesa Diana, entrou com um processo por difamação contra o duque de Sussex e seu amigo Mark Dyer, também membro da administração.
Comunicado oficial rechaça acusações
Em um breve comunicado divulgado por seu porta-voz, Harry e Mark Dyer afirmaram: "Na qualidade de cofundadores e membros do conselho de administração original de Sentebale, rechaçamos categoricamente estas acusações ofensivas". A ação judicial foi apresentada no Tribunal Superior de Londres no mês passado, conforme documentos judiciais que detalham as alegações de difamação ou calúnia.
Origens do conflito interno
A Sentebale, que apoia jovens que vivem com HIV em Botsuana e no Lesoto, decidiu processar Harry após ele ter deixado o cargo de patrono no ano passado. Os conflitos dentro da instituição começaram em 2023, com divergências em relação a uma nova estratégia de arrecadação de recursos. Em março de 2025, Harry e o príncipe Seeiso, do Lesoto, cofundadores da entidade, renunciaram aos cargos de patronos.
Na ocasião, os dois alegaram que a relação entre o conselho de administração e a presidente da organização, Sophie Chandauka, estava irremediavelmente desgastada. Posteriormente, Chandauka acusou Harry de ter orquestrado uma campanha de intimidação e assédio para forçá-la a deixar o cargo.
Investigação e críticas da comissão reguladora
A comissão reguladora das instituições de caridade do Reino Unido investigou o caso e criticou ambas as partes por permitirem que o conflito se tornasse público, prejudicando a imagem da organização. No entanto, a investigação não encontrou evidências concretas de intimidação ou misoginia dentro da Sentebale.
David Holdsworth, CEO da comissão, declarou em agosto de 2025: "Os problemas da Sentebale tornaram-se públicos, permitindo que uma disputa prejudicial manchasse a reputação da instituição de caridade, arriscando-se a ensombrar as suas muitas conquistas e comprometendo a capacidade da instituição de ajudar os próprios beneficiários para quem foi criada".
Contexto familiar e visita real
Enquanto isso, as relações familiares continuam tensas. Carlos III fará uma visita oficial aos Estados Unidos no final de abril, celebrando o 250º aniversário da independência norte-americana, mas não haverá um encontro planejado com o príncipe Harry durante a viagem. A agenda está programada ao detalhe, sem espaço para um momento entre pai e filho, reforçando a distância entre a família real britânica e o duque de Sussex.
Este caso judicial marca mais um capítulo conturbado na vida pública de Harry, que enfrenta desafios legais enquanto tenta manter seu trabalho filantrópico. A Sentebale, criada com nobres intenções, agora vê sua reputação abalada por disputas internas que chegaram aos tribunais, levantando questões sobre o futuro da organização e seu impacto nas comunidades africanas que serve.



