Executores de Epstein sob investigação por envolvimento em rede criminosa
As autoridades do Novo México iniciaram buscas em um rancho que pertenceu a Jeffrey Epstein, ampliando as investigações sobre a extensa rede de tráfico sexual do financista. Este desenvolvimento ocorre enquanto os dois homens encarregados de administrar seu espólio, Richard Kahn e Darren Indyke, enfrentam escrutínio crescente sobre seu possível conhecimento e participação nas atividades ilícitas.
O mistério do cofre esvaziado
Em julho de 2019, o FBI realizou uma busca na mansão de Epstein em Nova York, no mesmo dia de sua prisão por tráfico sexual de menores. Durante a operação, os agentes abriram à força um grande cofre, encontrando diamantes, maços de dinheiro, passaportes e discos rígidos. No entanto, uma questão técnica no mandado impediu a apreensão imediata dos objetos.
Quando os agentes retornaram com um novo mandado, descobriram que o cofre havia sido completamente esvaziado. Segundo documentos do FBI, Richard Kahn, contador de Epstein desde 2005, havia ordenado que funcionários da mansão embalassem o conteúdo em duas malas e as enviassem para sua residência.
Os administradores do espólio
Epstein nomeou Kahn e o advogado Darren Indyke como únicos administradores de seu espólio apenas dois dias antes de morrer na prisão, em agosto de 2019. A dupla revisou o testamento para transferir todo o patrimônio para um fundo administrado por eles, estimado em aproximadamente US$ 635 milhões na época.
Como executores, Kahn e Indyke controlam todas as posses e patrimônio de Epstein, incluindo as compensações devidas às sobreviventes e documentos sigilosos. Eles já aprovaram a liberação de fundos para indenizações, com 136 mulheres recebendo US$ 121 milhões através do Programa de Compensação das Vítimas.
Acusações de envolvimento direto
Documentos judiciais apresentados em diversas ações afirmam que Kahn e Indyke foram fundamentais para as operações de Epstein. Processos nas Ilhas Virgens Americanas acusam a dupla de:
- Gerenciar 140 contas bancárias de Epstein
- Facilitar casamentos forçados entre vítimas para garantir permanência nos EUA
- Realizar retiradas frequentes de dinheiro vivo para pagamentos irregulares
- Administrar empresas usadas para canalizar recursos para a rede criminosa
Uma das ações judiciais afirma que, exceto Ghislaine Maxwell, "ninguém era tão essencial e central para as operações de Epstein" quanto Indyke e Kahn.
Depoimento perante o Congresso
Como parte da investigação sobre a rede de Epstein, o Comitê de Fiscalização da Câmara dos Representantes dos EUA intimou a dupla a prestar depoimento. Kahn compareceu em 11 de março, enquanto Indyke deverá testemunhar em 19 de março.
O congressista Suhas Subramanyam, membro do comitê, declarou que "certamente, as vítimas os mencionaram como pessoas que conheciam alguns dos crimes de Jeffrey Epstein, não apenas os negócios financeiros, mas até o tráfico sexual".
Defesas e negativas
Os advogados de Kahn e Indyke negam veementemente qualquer irregularidade. Daniel Weiner, advogado de Indyke, afirmou que "nenhum juiz concluiu que o sr. Indyke ou o sr. Kahn tenha cometido qualquer irregularidade" e que "nenhuma mulher acusou nenhum dos homens de cometer ou presenciar abusos sexuais".
Dan Ruzumna, advogado de Kahn, declarou que seu cliente "cooperou totalmente com os pedidos do FBI" e que seu trabalho para Epstein foi "exatamente o mesmo tipo de contabilidade que milhares de profissionais fornecem para seus clientes".
Remuneração milionária
Documentos indicam que entre 2011 e 2019, Indyke recebeu US$ 16 milhões e Kahn, US$ 10 milhões de Epstein e suas empresas, valores que incluem empréstimos posteriormente "perdoados" no testamento. Além disso, o testamento prevê que cada executor receba US$ 250 mil por administrar o espólio, com honorários legais cobertos pelo patrimônio.
Perspectivas das vítimas
Uma sobrevivente que pediu anonimato declarou à BBC que a dupla "precisa responder por tudo isso" e expressou esperança de que "as pessoas realmente falem e simplesmente não apelem à Quinta Emenda". Ela questionou: "Quando você fala nesses enormes montantes, esse dinheiro ofusca e prevalece sobre a vontade e a necessidade de fazer o que é certo?"
Enquanto as investigações continuam no Novo México e em outras jurisdições, o caso revela a complexa teia financeira e legal que sustentou as operações criminosas de Epstein por anos, com seus executores agora no centro das atenções das autoridades e das vítimas que buscam justiça.
