Ex-mordomo brasileiro de Epstein em Paris relata 'fluxo constante de mulheres jovens'
Ex-mordomo brasileiro de Epstein relata 'fluxo constante de mulheres jovens'

Ex-mordomo brasileiro de Epstein em Paris descreve 'fluxo constante de mulheres jovens' em depoimento à polícia

O jornal francês Libération publicou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, trechos do depoimento policial de Valdson Vieira Cotrin, o mordomo brasileiro naturalizado francês que trabalhou para Jeffrey Epstein em Paris. De acordo com a transcrição do interrogatório realizado em 2019, obtida pela publicação, o funcionário observou "um fluxo constante de mulheres jovens e magras" no apartamento do financista americano, condenado naquele mesmo ano por comandar uma rede de exploração sexual.

Negativa sobre presença de menores

No entanto, o mordomo de 66 anos foi enfático ao negar ter conhecimento sobre a presença de menores de idade nas visitas ao imóvel. "Me dá arrepio imaginar as coisas que falam dele. Em nenhum momento vi meninas. Eu não olhava os documentos delas, mas para mim, fisicamente, não havia menores", declarou Cotrin aos investigadores, conforme relatado pelo veículo francês.

Cotrin era responsável pelo apartamento de 8 mil metros quadrados do bilionário na avenida Foch, localizada em um dos bairros mais nobres de Paris, onde trabalhou por dezoito anos como mordomo. Foi ele quem, em 2019, levou Epstein ao aeroporto de Le Bourget para que o financista embarcasse em seu jato particular rumo aos Estados Unidos — um voo que terminou com sua prisão na pista de um aeroporto em Nova Jersey.

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Hábitos perturbadores e detalhes reveladores

Em setembro de 2019, o brasileiro naturalizado foi interrogado pela brigada de polícia francesa encarregada da repressão de violência a pessoas, um mês após a morte do empresário americano em uma prisão de Nova York. O depoimento faz parte de uma investigação sobre a suposta rede de prostituição comandada por Epstein e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel — que teria sugerido ao amigo comprar uma agência de modelos brasileira para, supostamente, aliciar garotas.

No testemunho, Cotrin descreveu os hábitos perturbadores de seu patrão. Ele contou sobre as visitas constantes de "jovens muito elegantes", possivelmente modelos, e lembrou de uma ocasião em que Epstein comentou, a respeito de uma delas: "Valdson, I don't like" ("Eu não gosto"). O mordomo entendeu a frase como uma preferência do financista por mulheres mais magras.

Viagem a Saint-Tropez e detalhes íntimos

Em outro relato, o ex-mordomo falou sobre uma viagem de Epstein e sua namorada Ghislaine Maxwell, condenada e presa como sua cúmplice, a Saint-Tropez, no sul da França, em 2003. Lá, disse ter presenciado "um balé incessante" de mulheres "que iam e vinham a cada dois ou três dias". Além disso, afirmou que as paredes do apartamento no balneário eram repletas de retratos de mulheres nuas.

Em sua conta no Facebook, Cotrin se apresenta como goiano de Luziânia. Em agosto de 2025, em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, ele declarou que Epstein "amava a vida demais" para cometer suicídio. O ex-mordomo também postou na mesma rede social uma foto com o americano, em 2019, dentro do seu jatinho, que foi reproduzida pelo diário londrino.

O depoimento de Valdson Vieira Cotrin oferece novos detalhes sobre o modus operandi de Jeffrey Epstein e sua rede de exploração, destacando a rotina de visitas de mulheres jovens ao apartamento parisiense do financista, enquanto reforça a negativa do mordomo sobre a presença de menores no local.

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