Ex-modelo brasileira acusa aliado de Trump de abuso e uso de influência para deportação
Ex-modelo acusa aliado de Trump de abuso e deportação

Ex-modelo brasileira revela pesadelo com aliado próximo de Donald Trump

A ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, de 41 anos, veio a público com graves acusações contra seu ex-namorado, o italiano Paolo Zampolli, um aliado próximo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em entrevistas detalhadas, ela descreveu um relacionamento marcado por abuso sexual, violência doméstica e uma manobra política que culminou em sua deportação durante uma batalha judicial pela guarda de seu filho.

Um relacionamento que começou na elite nova-iorquina

Amanda relatou ter conhecido Zampolli, dono de uma agência de modelos, em uma boate de Manhattan em 2004, quando ela tinha 19 anos e ele 32. Dois anos antes, ela havia chegado a Nova York vinda de Paris, em um voo com o financista Jeffrey Epstein e sua cúmplice Ghislaine Maxwell, embora tenha afirmado que foi a última vez que esteve com o criminoso.

O casal ascendeu aos círculos mais exclusivos da elite social, com Zampolli forjando conexões com figuras como o ex-presidente Bill Clinton e o empresário Ron Burkle. No entanto, poucos relacionamentos foram tão próximos quanto o que ele manteve com a família Trump. O italiano foi quem apresentou Donald Trump à sua atual esposa, Melania, em 1998, e hoje atua como enviado especial do ex-presidente, cargo que lhe dá acesso privilegiado às engrenagens políticas.

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Acusações de abuso sexual e violência doméstica

Segundo Amanda, o abuso sexual ocorreu na mansão de cinco andares em Gramercy Park que ela dividia com Zampolli. Após uma festa, ele teria comentado que teve relações íntimas com ela enquanto ela dormia ou havia desmaiado. "Eu falei: 'Isso se chama estupro. Eu fui abusada'. Ele reagiu com uma risada", contou ao jornal O Globo.

Ela também afirmou ter sido agredida fisicamente em outra ocasião por se recusar a fazer sexo, o que a levou a procurar um advogado e iniciar um processo de separação na Suprema Corte em 2018. O relacionamento já estava em crise, com Amanda pedindo repetidamente para Zampolli diminuir o ritmo de festas, pedidos que eram ignorados.

A eleição de Trump e a deterioração do relacionamento

Segundo a ex-modelo, tudo piorou significativamente quando Donald Trump foi eleito presidente em 2016. "O Paolo achou que ele também tinha sido eleito presidente. Aquilo mexeu muito com a cabeça dele", relatou. Em 2023, após Zampolli ganhar manchetes por festas extravagantes em sua mansão em Washington e por compartilhar mensagens de texto explícitas, Amanda deixou o italiano e mudou-se para Miami, onde posteriormente se casou com um médico brasileiro.

A manobra com a polícia de imigração

Em junho passado, Amanda e seu marido foram presos após denúncias anônimas sobre seu spa médico em Miami. Enquanto seu marido, portador de green card, foi rapidamente libertado mediante pagamento de fiança, Amanda não tinha o mesmo status legal. Durante anos, Zampolli havia acenado com a possibilidade de casamento e cidadania sem nunca cumprir, deixando-a com vistos temporários que expiraram em 2019.

De acordo com revelações do New York Times, após a prisão de Amanda, Zampolli começou a usar suas conexões com o governo Trump dentro do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos. Ele entrou em contato com David Venturella, funcionário de alta patente da agência, que despachou policiais para buscar a mulher na prisão antes que ela pudesse ser libertada sob fiança.

Zampolli também buscou assistência de Corey Lewandowski, então um dos principais assessores no Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE. Amanda foi colocada sob custódia da polícia de imigração e, convencida de que perderia a guarda do filho se permanecesse no centro de detenção, pediu ao juiz de imigração que a enviasse de volta ao Brasil.

A batalha pela guarda do filho

O filho do casal, hoje um adolescente de 15 anos, inicialmente pediu para se mudar para o Brasil para morar com a mãe após a deportação, e Zampolli concordou. No entanto, no final do ano, o adolescente decidiu voltar para os Estados Unidos para morar com o pai, onde permanece enquanto seus pais continuam a batalha judicial pela guarda.

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Conexões com o caso Epstein

O nome de Paolo Zampolli é citado dezenas de vezes nos documentos sobre Jeffrey Epstein recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os documentos mencionam conversas sobre a compra conjunta de uma agência de modelos, embora Amanda tenha afirmado que seu contato com Epstein foi limitado àquele voo de Paris para Nova York em 2002.

A história de Amanda Ungaro representa um pesadelo de quase duas décadas que envolve abuso, violência e o uso de influência política em nível internacional. Suas acusações contra um aliado próximo de Donald Trump revelam como conexões privilegiadas podem ser usadas em disputas pessoais, com consequências devastadoras para as vítimas.