Justiça argentina processa ex-diretor de agência de Milei por esquema de corrupção
Ex-funcionário de Milei acusado de chefiar organização criminosa

Ex-funcionário do governo Milei é acusado de chefiar organização criminosa na Argentina

A Justiça da Argentina formalizou uma acusação grave contra Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional de Deficiência (Andis), que atuou no governo do presidente Javier Milei. O magistrado federal Sebastián Casanello determinou o processamento de Spagnuolo e outras dezoito pessoas, incluindo servidores públicos e empresários do setor de saúde, por integrarem uma suposta organização criminosa que operava dentro da agência.

Esquema de corrupção com desvio de recursos públicos

De acordo com a decisão judicial, que se tornou pública nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, o grupo atuou entre 2023 e 2025 para favorecer interesses privados em detrimento do interesse público. A investigação apontou práticas como:

  • Pagamento de propinas e fraudes contra o Estado
  • Desvio de recursos públicos destinados a pessoas com deficiência
  • Contratos direcionados a empresas farmacêuticas específicas
  • Uso de situações de emergência para contornar licitações regulares

O juiz destacou em sua decisão que "a agência foi cooptada e usada como meio de enriquecimento", prejudicando claramente sua finalidade pública de proteção e cuidado das pessoas com deficiência.

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Mecanismos fraudulentos e apreensão de equipamento suspeito

A investigação revelou que a concorrência entre fornecedores era, na prática, uma encenação cuidadosamente orquestrada. Quatro farmácias se revezavam na apresentação de propostas, garantindo que sempre uma delas vencesse os contratos multimilionários. Em muitos casos, os valores apresentados eram injustificadamente mais altos do que os praticados em outras licitações do setor.

Entre os elementos que pesaram contra Spagnuolo está a apreensão de uma máquina de contar cédulas em sua residência. Segundo o juiz Casanello, esse equipamento é compatível com a movimentação clandestina de dinheiro em espécie, já que o cargo público do acusado impediria transferências bancárias diretas sem chamar atenção.

Contexto político e desdobramentos do caso

O caso veio a público inicialmente em agosto do ano passado, após o vazamento de áudios atribuídos a Spagnuolo. Nas gravações, ele afirmava que Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, receberia 3% do valor pago pela agência na compra de medicamentos. Spagnuolo deixou o cargo dias depois do vazamento, mas os áudios não foram usados como prova pelo Ministério Público ou pelo juiz, que basearam a acusação em documentos, buscas e depoimentos.

Karina Milei não foi acusada no processo. A Andis, por sua vez, foi dissolvida em dezembro pelo governo Milei, com suas atribuições transferidas para o Ministério da Saúde. Desde a posse do presidente, a agência estava sob auditoria que identificou dezenas de milhares de beneficiários irregulares.

O processo provocou interrupções nos serviços e uma série de protestos de beneficiários, em meio ao duro ajuste fiscal promovido pelo governo argentino. Todos os acusados tiveram seus bens bloqueados pela Justiça como medida cautelar.

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