Ex-embaixador britânico é libertado após pagamento de fiança em Londres
A polícia de Londres concedeu nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, liberdade a Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, após o pagamento de fiança. Ele havia sido detido na segunda-feira, 23 de fevereiro, na capital inglesa, sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público devido aos seus vínculos com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
Detenção e investigação aprofundada
Mandelson foi escolhido pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, como embaixador em dezembro de 2024, mas foi demitido em setembro de 2025 após a divulgação de documentos do caso Epstein. Esses arquivos mostraram que o diplomata manteve amizade com Epstein mesmo depois da condenação por prostituição de menores, em 2008. O caso ganhou novas proporções em janeiro de 2026, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos publicou mais documentos, comprovando que Mandelson compartilhou informações sigilosas do governo britânico com Epstein durante seu período como secretário para Negócios e Comércio no governo de Gordon Brown, entre 2007 e 2010.
Após essas revelações, a polícia anunciou a abertura de uma investigação formal contra o ex-embaixador. Mandelson foi preso, e as autoridades realizaram buscas em duas de suas residências: uma no bairro londrino de Camden e outra em Wiltshire, no sudoeste da Inglaterra. Segundo a corporação policial, ele foi interrogado e liberado sob investigação, aguardando possíveis acusações futuras.
Conexões com outras figuras de alto escalão
A detenção de Mandelson ocorreu apenas quatro dias após a prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles 3º, que também é suspeito de má conduta no exercício de cargo público. Andrew teria repassado informações confidenciais a Epstein quando atuava como representante especial do Reino Unido para o comércio, de 2001 a 2011. Os arquivos do caso ainda revelaram que o marido de Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva, recebeu £ 10 mil (cerca de R$ 71 mil) do bilionário americano. Emails indicam que Silva recebeu várias transferências de Epstein em 2009 e 2010 para ajudá-lo a seguir seu sonho de se tornar osteopata, embora o montante total e o período exato não tenham sido detalhados.
Repercussões políticas e consequências pessoais
Após o escândalo, Peter Mandelson anunciou sua aposentadoria da Câmara dos Lordes e se desfiliou do Partido Trabalhista no domingo, 22 de fevereiro. Ele foi um dos arquitetos do renascimento do partido como força eleitoral nos anos 1990, sob a liderança de Tony Blair. O primeiro-ministro Keir Starmer declarou que Mandelson "decepcionou seu país" com a relação com Epstein, afirmando ao seu gabinete que estava horrorizado com as revelações. Além disso, Morgan McSweeney, chefe de gabinete de Starmer, renunciou neste mês, em meio ao escândalo que envolve figuras de alto escalão do governo britânico.
Uma condenação por má conduta em cargo público pode resultar em pena máxima de prisão perpétua, sendo julgada em um tribunal que trata crimes mais graves. A relação de Mandelson com Epstein representa mais um capítulo no escândalo que abala a elite política do Reino Unido, destacando a gravidade das acusações e o impacto contínuo das revelações sobre o caso.