EUA avisam Brasil sobre intenção de classificar CV e PCC como terroristas
EUA querem classificar CV e PCC como terroristas, diz site

EUA comunicam ao Brasil intenção de classificar CV e PCC como organizações terroristas

O governo dos Estados Unidos sinalizou formalmente ao Brasil sua intenção de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A comunicação foi realizada por autoridades norte-americanas durante reunião com o presidente do Banco Central brasileiro, Gabriel Galípolo, conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026.

Resistência do governo Lula e apoio dos Bolsonaros

A medida proposta pelos Estados Unidos enfrenta forte resistência do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desaprova a classificação por temer que ela possa abrir caminho para ações militares unilaterais norte-americanas em território brasileiro. No entanto, a iniciativa recebe apoio significativo do clã Bolsonaro, que vê na medida potenciais ganhos eleitorais para as eleições presidenciais deste ano.

De acordo com reportagem anterior do jornal The New York Times, há um intenso lobby conduzido por Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, e seu irmão Eduardo em favor da classificação. Pesquisas de opinião indicam que a segurança pública é um dos temas mais importantes para os eleitores brasileiros, e a designação das duas maiores organizações criminosas do país como terroristas poderia impulsionar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

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Objetivos e consequências da classificação

O Departamento de Estado dos EUA avalia que a classificação como organizações terroristas ajudará a:

  • Asfixiar financeiramente as organizações criminosas
  • Combater o movimento de grandes somas de dinheiro ilícito
  • Permitir ações mais rigorosas do Departamento do Tesouro norte-americano
  • Criar barreiras contra o uso do sistema bancário global por essas facções

A comunicação antecipada ao Brasil é interpretada como uma "deferência" ao país, já que outras nações onde grupos criminosos receberam essa designação, como o México, não foram previamente avisados.

Mudança na política norte-americana

Desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca, em janeiro de 2025, os Estados Unidos têm alterado sua abordagem em relação às organizações criminosas na América Latina. Washington passou a adotar uma retórica belicosa e a defender a classificação de grupos ligados ao tráfico de drogas como "narcoterroristas".

Com essa nova política, facções como o Cartel de Sinaloa, no México, e o Tren de Aragua, na Venezuela, já foram classificadas como organizações terroristas estrangeiras (FTOs), mesma tipificação aplicada a grupos extremistas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

Preocupações do governo brasileiro

O Palácio do Planalto mantém uma posição de contrariedade em relação à possível classificação, preocupado com as vulnerabilidades jurídicas que a medida pode criar. As autoridades brasileiras temem que o novo status possa justificar:

  1. Ações militares unilaterais dos Estados Unidos no Brasil
  2. Intervenções sem consulta prévia ao governo brasileiro
  3. Expansão da atuação norte-americana na região

Esses temores não são completamente infundados, considerando que sob a administração Trump, os EUA já promoveram bombardeios contra embarcações ao longo da costa da América do Sul sob a justificativa de combate ao narcoterrorismo, além de terem usado classificações similares para justificar ações na Venezuela.

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