Congresso dos EUA acusa Departamento de Justiça de censurar arquivos do caso Epstein
Membros do Congresso dos Estados Unidos fizeram graves acusações contra o Departamento de Justiça americano (DOJ), alegando que documentos relacionados ao falecido predador sexual Jeffrey Epstein foram indevidamente redigidos para ocultar nomes de pessoas poderosas. Os legisladores foram autorizados nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, a iniciar uma revisão das versões não editadas dos mais de três milhões de documentos divulgados sob a Lei de Transparência de Arquivos Epstein (EFTA) desde dezembro.
Nomes "provavelmente incriminatórios" ocultados
O deputado democrata Ro Khanna e o senador republicano Thomas Massie, que impulsionaram a lei que obrigou a liberação dos arquivos de Epstein no ano passado, afirmaram que seis nomes considerados "provavelmente incriminatórios" foram "inapropriadamente" redigidos nos documentos. Khanna declarou à emissora MS NOW que o problema principal é o não cumprimento da legislação, pois os arquivos foram limpos em março pelo FBI da administração Trump.
"O que descobrimos é que 302 formulários foram redigidos antes de chegarem ao DOJ", explicou Khanna, em contradição com a lei aprovada quase por unanimidade no Congresso e assinada pelo presidente Trump em novembro. A legislação exige que as informações não sejam redigidas antes de serem enviadas ao escritório da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, e seu vice Todd Blanche.
Denúncia de ocultação de CEO aposentado
Massie também denunciou que o nome de um "CEO aposentado bem conhecido" estava oculto na versão divulgada publicamente de um documento do FBI que listava potenciais colaboradores de Epstein. Nas redes sociais, Khanna foi ainda mais enfático: "O FBI de Trump limpou esses arquivos em março. Eles precisam desobstruir os arquivos do FBI para sabermos quem são os homens ricos e poderosos que estupraram meninas menores de idade".
Resposta do Departamento de Justiça e impacto nas vítimas
Blanche respondeu às acusações, alegando que "o DOJ não está escondendo nada". No entanto, a situação se complica ainda mais com relatos dos advogados das vítimas de Epstein, que afirmam que uma parcela dos arquivos liberados incluía endereços de e-mail e fotos nuas de possíveis vítimas.
As vítimas emitiram uma declaração chamando a divulgação de "ultrajante", acrescentando que não deveriam ser "nomeadas, examinadas e retraumatizadas". Massie comentou que o erro mostra que o Departamento de Justiça "precisa fazer um pouco mais de lição de casa" no tratamento dos arquivos.
O DOJ, por sua vez, disse que havia retirado todos os arquivos sinalizados e que os erros eram devidos a "erro técnico ou humano". A controvérsia continua a gerar tensões entre os poderes Legislativo e Executivo nos Estados Unidos, com implicações significativas para a transparência governamental e a justiça para as vítimas.



