El Salvador aprova prisão perpétua para menores em reforma penal de Bukele
El Salvador aprova prisão perpétua para menores em reforma

El Salvador estabelece prisão perpétua para menores em reforma histórica do Código Penal

A Assembleia Legislativa de El Salvador aprovou nesta quinta-feira, 26 de setembro, um pacote de reformas penais que inclui a pena de prisão perpétua para menores de 18 anos considerados "assassinos, estupradores e terroristas". A medida representa uma mudança radical na legislação juvenil do país centro-americano.

Mudanças no sistema de justiça juvenil

A reforma do Código Penal Juvenil, proposta pelo presidente Nayib Bukele como parte de sua política de endurecimento no combate ao crime, "incorpora a prisão perpétua ao catálogo excepcional de penas para menores em conflito com a lei", conforme estabelece o texto aprovado pelos legisladores. O Artigo 8 da nova legislação determina que "o menor que cometer um ato classificado como crime ou contravenção, de acordo com a legislação penal, poderá ser submetido apenas às seguintes medidas e penas: prisão perpétua".

Entre as principais alterações estão:

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  • Inaplicabilidade do procedimento especial para menores em crimes graves
  • Revisões periódicas das sentenças de prisão perpétua para avaliar reabilitação
  • Possibilidade de concessão de liberdade condicional após avaliação

Aprovação por ampla maioria legislativa

A medida foi aprovada por 58 dos 60 membros do Congresso unicameral, dominado pelo partido governista Novas Ideias (NI). A votação ocorreu uma semana após a aprovação de uma emenda constitucional que permite alterações aceleradas na Constituição em uma única sessão legislativa.

O presidente da Assembleia, Ernesto Castro, declarou: "Demos às famílias salvadorenhas a tranquilidade de saber que nenhum desses criminosos jamais verá a luz do dia novamente". A reforma entrará em vigor oito dias após sua publicação no Diário Oficial.

Controvérsias e críticas à medida

Apesar do apoio majoritário, a reforma enfrenta críticas de organizações de direitos humanos e oposicionistas. O deputado Francisco Lira, da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), afirmou que "pessoas de bem estão pagando por algo que não fizeram", referindo-se aos milhares de salvadorenhos sem vínculos com gangues que aguardam julgamento justo.

A legislação anterior estabelecia pena máxima de 60 anos, com possibilidade de redução por bom comportamento ou serviço comunitário. A nova reforma mantém compatibilidade com padrões constitucionais internacionais ao estabelecer revisão obrigatória da pena, mas representa uma mudança significativa no tratamento de menores infratores.

Contexto de estado de emergência

Paralelamente à aprovação da reforma penal, o Parlamento salvadorenho prorrogou por mais 30 dias o estado de emergência que permite prisões sem mandado. Desde sua implementação há quatro anos, 91.650 supostos membros de gangues foram presos, segundo fontes oficiais, com aproximadamente 8 mil libertações após serem considerados inocentes.

Organizações não governamentais de direitos humanos alertam que um número significativo de inocentes permanece detido, levantando questões sobre o equilíbrio entre segurança pública e garantias individuais no contexto da guerra contra as pandillas, as gangues criminosas que assolam o país.

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