Uma série de aparições públicas do líder venezuelano Nicolás Maduro, cantando e dançando em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos, foi interpretada pelo governo americano como um ato de deboche e precipitou a operação que resultou na sua prisão. A revelação é do jornal The New York Times, com base em fontes familiarizadas com o assunto.
O deboche que irritou a Casa Branca
De acordo com a publicação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viu nas performances de Maduro uma demonstração de indiferença e provocação. Em comícios na Venezuela, o líder chavista foi visto cantando "Don't Worry, Be Happy" e ordenando que a população se preparasse para "quebrar os dentes" dos EUA.
Em novembro, Maduro chegou a cantar o hino pacifista "Imagine", de John Lennon, pedindo paz e diálogo. O incidente que teria sido particularmente irritante ocorreu em dezembro, durante a inauguração da Escola Internacional de Liderança Feminina. Maduro dançou e fez gestos de socos no ar, imitando um gesto característico de Trump, ao som de um remix de seus próprios discursos.
Para Washington, essas atitudes passaram a mensagem de que Maduro acreditava que as ameaças americanas eram blefe. Profundamente incomodado, o governo Trump decidiu cumprir suas promessas militares, conforme relatado pelo NYT.
A prisão e as acusações formais
A intervenção ocorreu na madrugada do último sábado, 3 de janeiro de 2026. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados à força do quarto onde estavam por militares americanos, segundo a CNN. Trump afirmou à Fox News que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes no local.
Já em Nova York, na segunda-feira, 5 de janeiro, o casal se declarou inocente perante o tribunal. "Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente", afirmou Maduro. Ambos estão presos no Brooklyn.
As acusações são graves. Um novo indiciamento divulgado no sábado alega que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado. A rede teria parcerias com grupos criminosos violentos, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, as FARC colombianas e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
Quem mais é acusado?
Além de Maduro e Cilia Flores, a acusação na Corte do Distrito Sul de Nova York inclui:
- Nicolás Maduro Guerra, filho do líder.
- Diosdado Cabello, ministro do Interior.
- Hector Guerrero Flores (Niño Guerrero), líder do Tren de Aragua.
O documento acusatório detalha que Maduro usou sua autoridade para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. A promotoria relembra sua trajetória, acusando-o de movimentar carregamentos sob proteção policial quando era parlamentar, fornecer passaportes diplomáticos a traficantes e facilitar a lavagem de dinheiro para criminosos mexicanos.
O procurador Jay Clayton afirmou que "Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício". O enquadramento como "narcoterrorismo" o coloca como uma ameaça à segurança nacional dos EUA, com base em leis pós-11 de setembro.
As consequências e o que vem pela frente
A prisão de Maduro marca um capítulo extremo na relação conturbada entre Washington e Caracas. A operação, acelerada pela percepção de provocação, mostra a disposição do governo Trump em agir de forma direta contra líderes estrangeiros acusados de crimes graves.
O caso agora segue no sistema judicial americano, onde Maduro e os demais acusados enfrentarão um julgamento que mistura direito penal, direito internacional e questões de segurança nacional. O desfecho terá repercussões profundas não apenas para a Venezuela, mas para a geopolítica de toda a região.