Chef italiano preso em Fortaleza aguarda extradição por fraudes milionárias na Itália
O chef de cozinha italiano Fabio Mattiuzzo permanece preso no Ceará, aguardando a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para ser extraditado à Itália, onde responde por graves acusações de fraudes financeiras. A detenção ocorreu em Fortaleza, após determinação do ministro Flávio Dino, do STF, no dia 9 de março deste ano, com a prisão efetivada pela Polícia Federal em 13 de março.
Detalhes da prisão e processo de extradição
Segundo informações da Polícia Federal, Mattiuzzo deve passar por extradição passiva, um procedimento em que autoridades italianas virão ao Brasil para buscá-lo diretamente em Fortaleza. A PF já comunicou ao STF o cumprimento do mandado de prisão preventiva e solicitou as tratativas necessárias para concretizar a extradição, mantendo o chef à disposição da corte suprema brasileira.
Trajetória profissional do chef em Fortaleza
Antes da prisão, Mattiuzzo atuava em restaurantes de alta gastronomia na capital cearense, especializando-se em pratos das culinárias francesa e italiana. Em 2023, ele comandou a cozinha de um restaurante italiano na área nobre da cidade, e anteriormente trabalhou em um estabelecimento de culinária francesa na mesma região. O chef também era frequentemente convidado para eventos especiais, como jantares corporativos e reuniões de associações e lideranças locais.
Em entrevistas nas redes sociais, Mattiuzzo revelou que veio a Fortaleza em 2014 após receber um convite, e na cidade conheceu uma brasileira, com quem se casou. Sua experiência profissional inclui passagens por cozinhas na Itália, França, Suíça e Espanha, onde adquiriu conhecimento sobre a cultura gastronômica desses países.
As acusações e condenações na Itália
Mattiuzzo estava na lista de procurados da Interpol desde junho de 2025, com duas condenações na Itália que somam mais de cinco anos de prisão pelo crime de falência fraudulenta agravada. De acordo com processos judiciais, ele era diretor de duas empresas italianas que faliram entre 2009 e 2011 após sofrerem grandes prejuízos.
As acusações incluem o desvio de dinheiro das companhias para pagar despesas pessoais, com um dos casos envolvendo mais de 96 mil euros. A Justiça italiana também aponta que o chef ocultou e destruiu livros e documentos contábeis das empresas. Os crimes, que não estão prescritos, equivalem no Brasil aos delitos de apropriação indébita e fraude a credores.
Contexto legal e próximos passos
A prisão preventiva foi decretada com o objetivo específico de facilitar a extradição, conforme destacou a Polícia Federal em comunicado. O STF é o responsável por todo o processo de extradição, e a decisão final sobre a transferência de Mattiuzzo para a Itália depende da autorização da corte. Enquanto isso, o chef italiano permanece detido no Ceará, aguardando o desfecho legal que pode levá-lo de volta ao seu país de origem para cumprir as penas impostas.



