Carioca desaparecido após proposta de emprego na África está preso em Essuatíni, segundo relatos familiares
O frentista carioca Joan Vitor dos Santos, de 27 anos, que estava desaparecido desde o dia 13 de março após viajar para trabalhar na África do Sul, fez novos contatos com a família e afirmou estar preso no Reino de Essuatíni, pequena nação localizada no sul do continente africano. A família acredita que ele tenha sido vítima de um golpe e suspeita fortemente de tráfico humano, em um caso que tem mobilizado autoridades brasileiras e causado grande preocupação.
Desaparecimento e primeiras suspeitas
Joan morava em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, com a família. Segundo parentes, ele recebeu uma proposta de emprego na África do Sul e embarcou no dia 9 de março, cheio de esperanças. Após a viagem, começou a enviar poucas mensagens e, em seguida, deixou completamente de dar notícias, o que gerou desespero entre familiares e amigos. A situação se agravou quando os contatos se tornaram cada vez mais raros e inconsistentes.
Primeira aparição em chamada de vídeo revela situação alarmante
Após dias sem qualquer comunicação, a família recebeu uma chamada de vídeo que aterrorizou a todos. Nas imagens, um homem fardado aparece primeiro, seguido por Joan, visivelmente abalado e emocionalmente fragilizado, em um local com várias pessoas deitadas no chão. Segundo os familiares, o ambiente parecia claramente um cativeiro, com condições precárias e vigilância constante.
Durante a chamada, Joan pediu ajuda desesperadamente e solicitou que entrassem em contato com a embaixada brasileira. A partir desse episódio, as autoridades brasileiras foram formalmente notificadas. O Itamaraty, a Polícia Federal e a Polícia Civil iniciaram imediatamente a apuração do caso, mas mesmo após essa primeira aparição, o brasileiro voltou a ficar incomunicável por um período.
Novo contato e relatos de fome e sofrimento
Na manhã desta terça-feira (8), Joan conseguiu novamente acesso a um telefone e falou com a esposa, Rafaela Pereira. Ele disse estar preso em um local que não soube informar exatamente onde ficava e relatou que estava passando fome severa. Em um trecho emocionante da conversa, Joan desabafou com a esposa: “Estou preso. A embaixada vai vir aqui amanhã. Rafaela, eu não consigo dormir. Penso em você todo dia. Eu tô há 3 dias sem comer, pensando em vocês e nas crianças.”
Família descreve situação emocional e falta de apoio
Rafaela Pereira falou sobre a situação emocional devastadora do marido. “O Vitor entrou em contato novamente com a gente por chamada de vídeo. Ele aparece muito abalado, chorando muito, falando que tá sofrendo muito lá, que estava há 3 dias sem comer, que está morrendo de saudade da gente. Ele fala que está no país Suazilândia e, ao lado, tem um policial que fala a mesma coisa. Ele disse que a embaixada do Brasil ainda vai lá amanhã. Ninguém foi lá ainda. Ele continua lá”, afirmou a esposa, visivelmente angustiada.
Segundo a família, Joan aparece sempre sob vigilância rigorosa durante as chamadas e demonstra medo intenso de falar livremente, indicando que está sendo monitorado de perto. A principal suspeita da família é que Joan tenha sido aliciado por uma falsa proposta de trabalho e acabado vítima de um esquema criminoso de tráfico humano, uma prática que tem preocupado autoridades internacionais.
Busca por soluções e envolvimento das autoridades
Nesta semana, parentes do frentista foram novamente ao consulado da África do Sul para pedir mais empenho nas buscas e na apuração detalhada do caso. O Ministério das Relações Exteriores informou que continua prestando assistência consular ao frentista, mas a situação permanece crítica. A Polícia Federal, por sua vez, disse que não divulga informações sobre investigações em andamento, mantendo sigilo sobre os detalhes operacionais.
A família segue ansiosa por respostas e por um desfecho positivo, enquanto Joan Vitor permanece em situação de vulnerabilidade extrema em Essuatíni. O caso tem chamado a atenção para os riscos de propostas de emprego no exterior sem verificação adequada e para a necessidade de maior vigilância contra redes de tráfico humano que operam internacionalmente.



