Família brasileira interrompe férias e foge do México após morte de traficante
O governo mexicano anunciou o envio de mais 2 mil soldados para o Estado de Jalisco nesta segunda-feira (23), enquanto uma família brasileira de Roraima antecipou para esta terça-feira (24) o retorno ao Brasil após uma onda de violência atingir regiões do país. A escalada de tensão ocorreu após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, durante uma operação militar no domingo (22).
Turistas brasileiros em meio ao caos
A família do escritor, historiador e professor Aimberê Freitas estava passando férias no México desde o dia 19 de fevereiro. Eles se encontravam na Cidade do México, a aproximadamente 550 quilômetros do estado de Jalisco, onde ocorreu a operação que resultou na morte do criminoso. A viagem, que teria duração de 15 dias, foi interrompida abruptamente devido à situação de insegurança.
"Eu estou querendo retornar hoje. Sair daqui da Cidade do México para Cancún e de lá para Manaus. Ainda hoje, se for possível ainda hoje", declarou o escritor ao relatar sua decisão de deixar o país imediatamente.
Momento de tensão e dificuldades
Freitas descreveu que a situação ficou extremamente tensa nos primeiros dias após a morte do traficante, com momentos de violência que dificultaram a vida dos turistas. Ele mencionou problemas como fechamento de aeroportos e falta de apoio imediato da Embaixada e do Consulado do Brasil no México.
"Bom, depois que aconteceu a morte dessa pessoa, a polícia, as forças armadas, estão dominando aqui a situação e, portanto, está aparentemente mais calma. Mas os momentos que antecederam a esse confronto foram extremamente violentos e difíceis para nós turistas", explicou o professor.
Operação militar e reação do cartel
Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, comandava o cartel "Jalisco Nova Geração", organização responsável pelo tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos. Considerado um dos criminosos mais procurados do México, ele foi localizado em um imóvel na cidade de Tapalpa, em Jalisco, e morreu após ser ferido durante a operação militar.
A morte do traficante desencadeou uma forte reação do crime organizado. Segundo o Ministério da Defesa mexicano, uma das lideranças do cartel, conhecida como "El Tuli", ordenou bloqueios em estradas, incêndios e ataques contra prédios públicos na região. Os confrontos resultaram em mais de 70 mortes, incluindo 25 membros da Guarda Nacional.
Reforço militar e busca internacional
Diante da escalada de violência, o governo mexicano decidiu enviar reforços de 2 mil soldados para Jalisco. A operação que eliminou El Mencho começou no sábado (21), quando investigadores descobriram seu paradeiro após a namorada do criminoso visitar o imóvel em Tapalpa.
El Mencho era procurado há anos pelas autoridades do México e dos Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano chegou a oferecer uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura. O cartel Jalisco Nova Geração é apontado como um dos principais fornecedores de fentanil para os EUA.
Silêncio diplomático
O g1 procurou o Itamaraty para comentar a situação dos turistas brasileiros no México, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A família de Aimberê Freitas segue tentando retornar ao Brasil enquanto as autoridades mexicanas buscam restabelecer a ordem na região afetada pela violência do cartel.



