Desaparecimento de psicóloga brasileira na Inglaterra completa 50 dias sem novas pistas
Brasileira desaparecida na Inglaterra completa 50 dias sem pistas

Desaparecimento de psicóloga brasileira na Inglaterra completa 50 dias sem novas pistas

O caso do desaparecimento da psicóloga brasileira Vitória Figueiredo Barreto na Inglaterra atinge um marco preocupante nesta quinta-feira (23), completando exatos 50 dias desde que ela foi vista pela última vez. A cearense, que estava no Reino Unido para atividades acadêmicas, fez seu último contato com familiares e amigos no dia 3 de março, permanecendo desde então com paradeiro completamente desconhecido.

Investigação estagnada e busca por informações

A Polícia de Essex, responsável pelas investigações, não divulgou nenhuma informação nova publicamente nas últimas três semanas, mantendo o caso em relativo silêncio. As buscas físicas pela brasileira foram oficialmente encerradas no dia 20 de março, restando apenas a coleta de dados e informações como método de investigação.

Em um desenvolvimento significativo, a mãe de Vitória, Gleyz Barreto, que havia viajado para o Reino Unido para acompanhar de perto as investigações, retornou ao Brasil no início de abril. No entanto, o namorado da psicóloga, identificado como Janilson, permanece no país europeu acompanhando o trabalho de um detetive particular contratado pela família.

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Este profissional foi contratado com recursos arrecadados através de uma campanha de financiamento online, conforme relatado pela psicóloga Fernanda Silvestre, amiga próxima de Vitória. A polícia informou aos familiares que parte dos dados bancários de Vitória já foi acessada, mas até o momento não trouxe novas evidências concretas, aguardando-se ainda informações de cartões de crédito brasileiros.

Últimos movimentos e hipóteses investigativas

Em vídeo publicado nas redes sociais, Liliane Silva, professora que hospedava Vitória na Inglaterra antes do desaparecimento, revelou detalhes cruciais. A última movimentação bancária registrada nas contas da psicóloga ocorreu justamente no dia do desaparecimento, 3 de março, quando ela pagou por um café e uma passagem de ônibus.

Embarcações que circulam na região litorânea de Bradwell-On-Sea, onde Vitória foi vista pela última vez, foram alertadas sobre o desaparecimento, e buscas marítimas foram realizadas. Durante essas operações, dois corpos foram encontrados no mar, mas a polícia descartou qualquer relação com o caso da brasileira.

A principal hipótese da Polícia de Essex, conforme Liliane, é que Vitória permanece em terra firme. A professora compartilhou a perspectiva das autoridades: "É muito mais fácil encontrar um corpo parado do que uma pessoa em movimento. Se alguém encontrou Vitória em vulnerabilidade a partir daquele momento e fez algum mal para ela ou está fazendo algo ruim pra ela, nós precisamos descobrir e não vamos parar de trabalhar, não vamos parar de correr atrás de Vitória".

Cronologia dos acontecimentos

No dia 3 de março, Vitória Barreto saiu do campus da Universidade de Essex em Colchester, aproximadamente 90 quilômetros de Londres, sendo vista pegando um ônibus e desembarcando na cidade de Brightlingsea. Os últimos passos confirmados da psicóloga são uma filmagem dela em local próximo à marina de Brightlingsea na madrugada do dia 4 de março.

Uma das hipóteses consideradas pela polícia sugere que ela possa ter utilizado uma embarcação encontrada à deriva no dia seguinte, por volta do meio-dia, próxima à costa de Bradwell-On-Sea. Até o momento, não há outros relatos divulgados de avistamento da brasileira.

No último comunicado oficial da polícia, divulgado no dia 1º de abril, os investigadores apresentaram novas imagens obtidas em câmeras de segurança na região de Brightlingsea, próximo à área portuária. As filmagens correspondem a dois momentos específicos:

  • Por volta das 14h35 de 3 de março, quando ela atravessou uma área de fazenda na localidade de Hurst Green
  • Por volta de 0h22 de 4 de março, quando foi vista em uma área industrial próxima a Copperas Road, próximo ao estaleiro de Brightlingsea

Esta última imagem representa o último registro visual confirmado de Vitória Figueiredo Barreto.

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Contexto pessoal e emocional

Natural de Fortaleza, Vitória estava fora do Brasil desde janeiro, quando participou de um congresso e dois cursos no Marrocos antes de seguir para a Inglaterra. Sua intenção era participar de atividades científicas e tentar ingressar em um programa de doutorado.

Desde o início de março, ela estava hospedada na casa da amiga brasileira Liliane, com quem trabalhava em um projeto de pesquisa na Universidade de Essex. No dia do desaparecimento, as duas almoçaram juntas em um local próximo à universidade, com planos de se reencontrar no fim da tarde – encontro que nunca aconteceu.

A mãe de Vitória, Gleyz Barreto, relatou que a psicóloga aparentava estar bastante nervosa durante sua última ligação telefônica: "Na terça-feira, ela me ligou muito nervosa, dizendo que realmente achava que estava muito cansada, um estresse exagerado. Porque ela já vinha de um congresso em Marrocos, tinha passado um mês fora... Ela já vem, né? E aí, quando ela disse ‘Mãe, eu estou precisando ir. Preciso ir, mãe, agora eu preciso ir…’ E desligou o telefone".

No final de março, a família iniciou uma campanha nas redes sociais para arrecadar doações, com objetivos claros: cobrir custos com estadia no Reino Unido e financiar a contratação do detetive particular que agora trabalha no caso, mantendo viva a esperança de encontrar respostas sobre o paradeiro da psicóloga cearense.