Advogada argentina acusada de injúria racial no Rio vive clima de perseguição e medo
A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez, que enfrenta acusações de injúria racial no Brasil, declarou publicamente que está sofrendo perseguição extrema e teme pela sua própria vida. Em entrevista ao canal de notícias TN, ela foi enfática ao afirmar: "Eles querem me matar", revelando um cenário de intensa pressão e ameaças constantes desde que o caso ganhou notoriedade.
O incidente que desencadeou a crise jurídica e pessoal
O episódio que colocou Agostina Páez no centro das atenções ocorreu no dia 14 de janeiro, em um bar localizado no Rio de Janeiro. A advogada foi filmada realizando gestos considerados racistas em direção a funcionários do estabelecimento, o que resultou na abertura de um processo por injúria racial – crime que, conforme a legislação brasileira, prevê pena de prisão que pode variar entre dois e cinco anos.
Agostina, que é natural de Santiago de Estero, na Argentina, optou por não comentar detalhes sobre as acusações de fala racista. Em suas declarações, ela limitou-se a dizer: "Não posso falar sobre os acontecimentos. A única coisa que vou dizer é que não menti sobre nada. Disseram que eu tinha proferido outros insultos, e isso é mentira".
Detenção, indiciamento e medidas judiciais restritivas
Na última sexta-feira, a situação da advogada atingiu um novo patamar de gravidade. Ela foi detida em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, sendo localizada em um apartamento alugado na região de Vargem Pequena, no Rio de Janeiro. Após ser levada para uma delegacia da Polícia Civil, foi indiciada e, posteriormente, liberada no mesmo dia, mas não sem antes passar por um verdadeiro calvário.
Agostina descreveu a experiência como traumática: "Ontem foi um calvário, porque criaram tantos obstáculos, inclusive por parte da polícia, apesar de já haver um mandado de soltura. Filmaram-me, expuseram meus pertences. Sinto-me muito desprotegida. Há pessoas que me odeiam. Dizem-me todo o tipo de coisas".
Como parte das imposições determinadas pela Justiça, a advogada agora está sendo monitorada por tornozeleira eletrônica e terá de comparecer ao Tribunal de Justiça uma vez por mês. Além disso, ela não poderá retornar à Argentina sem uma decisão judicial que autorize expressamente a viagem.
Família em alerta e receio pela segurança pessoal
Enquanto aguarda o desfecho do processo, Agostina Páez recebeu a visita de sua família, que veio da Argentina para apoiá-la neste momento delicado. Emocionada, ela deu um abraço no pai, Mariano Páez, e na irmã de 16 anos, Justina, em um encontro que misturou alívio e apreensão.
Mariano Páez revelou ao TN que estava "com muito medo, temi por sua vida", mas que agora se sente mais tranquilo por saber que a filha está acompanhada. Ele pretende ficar no Brasil por uma ou duas semanas para auxiliá-la: "Nos reuniremos com os advogados e possivelmente com o cônsul. Meu desejo é que ela possa voltar para o país. Foi um ato impulsivo; ela está muito arrependida".
Exposição pública e campanhas de ódio
A advogada argentina afirmou que a acusação de racismo a deixou extremamente exposta, gerando uma onda de hostilidade que ultrapassa os limites do caso judicial. Ela relatou: "Há uma campanha antifascista usando minha imagem. Estou em perigo; recebo ameaças constantemente. Não posso ir a lugar nenhum porque estou muito exposta".
Este clima de perseguição e medo tem transformado a rotina de Agostina Páez, que agora vive sob o peso de ameaças e de uma vigilância constante, tanto por parte da Justiça quanto de setores da sociedade que repudiam as acusações de injúria racial.



