PF desmantela esquema de lavagem de dinheiro com criptomoedas em São Paulo e Santa Catarina
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a segunda fase da Operação Narco Azimut, aprofundando investigações sobre uma associação criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Cerca de 50 policiais federais executaram 26 mandados judiciais, incluindo ordens de busca e apreensão e prisão temporária, em cidades de São Paulo e Santa Catarina.
Alvos da operação em múltiplas localidades
As ações policiais ocorreram simultaneamente em São Paulo, Ilhabela, Taboão da Serra no estado paulista, e em Balneário Camboriú em Santa Catarina. Todas as ordens foram emitidas pela 5ª Vara Federal de Santos, demonstrando a coordenação judicial necessária para uma operação de tal magnitude.
Segundo a Polícia Federal, esta fase representa um desdobramento natural de investigações anteriores, particularmente das operações Narco Bet e Narco Azimut. Essas apurações identificaram um grupo criminoso que movimentava recursos através de métodos diversificados:
- Dinheiro em espécie
- Transferências bancárias convencionais
- Criptoativos (criptomoedas)
As transações ocorriam tanto no território nacional quanto no exterior, evidenciando a sofisticação e o alcance internacional do esquema.
Mecanismos de lavagem e valores envolvidos
As diligências da PF revelaram que os investigados utilizavam empresas de fachada e terceiros para estruturar a circulação de valores ilícitos. O modus operandi incluía:
- Operações financeiras de alto valor
- Movimentações significativas com criptoativos
- Estruturação societária complexa para ocultar a origem dos recursos
A Justiça Federal ordenou medidas cautelares rigorosas contra os investigados:
- Sequestro de bens e valores até o limite de 934 milhões de reais
- Restrições societárias abrangentes
- Proibição de movimentação empresarial
- Vedação de transferência de bens vinculados às atividades ilícitas
Crimes imputados e contexto investigativo
Os envolvidos nesta operação poderão responder por múltiplos crimes tipificados no código penal brasileiro:
- Associação criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Evasão de divisas
A Polícia Federal enfatizou que a utilização de criptoativos representa um desafio crescente para as autoridades, exigindo especialização tecnológica e cooperação internacional. A operação demonstra a capacidade da PF em acompanhar a evolução dos métodos criminosos, que cada vez mais incorporam tecnologias financeiras inovadoras para burlar os sistemas de controle.
Esta ação policial ocorre em um contexto de intensificação do combate ao crime financeiro organizado no Brasil, com foco particular em esquemas que utilizam a tecnologia blockchain e criptomoedas para ocultar a origem de recursos ilícitos. A apreensão de bens no valor de quase um bilhão de reais representa um dos maiores golpes contra a lavagem de dinheiro utilizando criptoativos registrados no país nos últimos anos.



