Golpes imobiliários aumentam na Baixada Santista com anúncios falsos e falsos corretores
Golpes imobiliários crescem na Baixada Santista com falsos anúncios

Baixada Santista enfrenta crescimento alarmante de golpes imobiliários

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) emitiu um alerta importante sobre o aumento significativo de fraudes imobiliárias na região da Baixada Santista, no litoral paulista. Segundo a entidade, criminosos têm se aproveitado da alta demanda por imóveis na região para aplicar golpes cada vez mais sofisticados, colocando em risco o patrimônio de famílias inteiras.

Múltiplas modalidades de fraude preocupam autoridades

Os estelionatários atuam com diversas estratégias fraudulentas, incluindo a venda do mesmo imóvel para várias pessoas simultaneamente, apresentação de documentos falsificados, oferta de propriedades a preços absurdamente abaixo do mercado e até mesmo a exibição de fotografias de apartamentos que simplesmente não existem na realidade. Carlos Ferreira, delegado regional do Creci, explica que essas fraudes ocorrem com frequência em toda a extensão do litoral paulista, do litoral norte ao litoral sul, especialmente envolvendo terrenos e lotes inexistentes.

Experiência real ilustra os riscos enfrentados por compradores

O publicitário Felipe Antonio Ferreira, residente em Santos, compartilhou sua experiência preocupante quando tentava realizar o sonho de sair do aluguel. Ao encontrar um apartamento à venda no próprio prédio onde morava, ele se deparou com sinais alarmantes durante as negociações. "Eles não apresentaram a escritura definitiva. A gente pedia, eles não entregavam. Entregavam um contrato que parecia muito amador, parecia muito estranho", relatou o publicitário em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.

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No caso específico de Felipe, o vendedor ofereceu apenas o chamado "contrato de gaveta" em nome de um terceiro, um documento sem qualquer registro em cartório ou validação legal. Após consultar o Creci e receber orientação para não prosseguir com o negócio devido aos indícios de golpe, o publicitário decidiu recuar. "É um dinheiro suado, não é uma camiseta, um imóvel é um bem pra vida", justificou ele, destacando a importância da cautela em transações de alto valor.

Redes sociais e sites se tornam terreno fértil para fraudes

Os corretores legítimos da região observam que as plataformas digitais têm se tornado o principal canal para a disseminação desses golpes. Os criminosos copiam anúncios reais de imobiliárias estabelecidas em portais especializados e os republicam com valores drasticamente reduzidos para atrair vítimas desavisadas. "Infelizmente essas fraudes acontecem sempre, principalmente em vendas de terrenos", reforçou o delegado Carlos Ferreira.

Após o primeiro contato, os falsos corretores costumam pressionar por pagamentos antecipados, muitas vezes utilizando imagens atraentes de imóveis que nem sequer existem. "Eles colocam imagens do imóvel, dizendo que aquele bairro é o melhor daquele município, que o apartamento está próximo da praia", descreveu Ferreira sobre as táticas enganosas.

Dados revelam dimensão do problema na região

Apesar da ausência de estatísticas específicas sobre o número exato de golpes na Baixada Santista, os corretores profissionais afirmam que a região se mantém como uma das mais visadas pelos criminosos que se passam por profissionais do setor, especialmente durante feriados prolongados e na alta temporada turística. Somente em 2025, o Creci já autuou 256 pessoas na região por exercerem ilegalmente a atividade de corretagem de imóveis.

Orientações essenciais para evitar prejuízos

O Creci-SP destaca a importância de verificar cuidadosamente a documentação em qualquer transação imobiliária. "Para comprar um imóvel, a pessoa precisa apresentar a escritura definitiva registrada em cartório, tem que apresentar todas as certidões atualizadas e principalmente o registro dessa escritura no cartório de escritura de imóveis", orienta Carlos Ferreira.

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Para locações, mesmo as de curta duração como temporadas, é fundamental exigir um contrato formalizado. O delegado regional do Creci faz um apelo especial: "Precisamos alertar a todos da sociedade, principalmente para as pessoas mais humildes que juntam o dinheiro por muitos anos para comprar um imóvel, dar entrada em um imóvel e acaba dando dinheiro para um estelionatário".

O conselho mantém em seu site oficial um sistema de consulta que permite verificar se o profissional responsável pelo anúncio possui registro válido no órgão, uma ferramenta essencial para consumidores que desejam se proteger contra fraudes imobiliárias.