Ex-gerente de fazenda é preso por desvio milionário e planejava viver de renda com dinheiro desviado
O ex-gerente da Fazenda Bacaba, Péricles Antônio Pereira, foi preso preventivamente na última terça-feira (7) sob suspeita de liderar um esquema de desvios que causou prejuízo de aproximadamente R$ 10 milhões aos proprietários da propriedade rural localizada em Miranorte, Tocantins. A investigação da Polícia Civil revelou detalhes surpreendentes sobre como o acusado monitorava as possíveis consequências de seus atos e planejava seu futuro financeiro com recursos supostamente ilícitos.
Pesquisas na internet revelam plano de fuga financeira
Com autorização judicial, os investigadores acessaram os dados digitais do suspeito e descobriram buscas online que indicavam sua preocupação com as repercussões jurídicas de suas ações e seus planos para o futuro. Entre as pesquisas realizadas por Péricles estavam:
- "funcionário superfaturou serviços e recebeu dinheiro de terceiros: como processar?"
- "como processar sem provas e testemunhas?"
- "qual a renda passiva de R$ 2,5 milhões aplicados em renda fixa?"
- "parar de trabalhar aos 43 anos, com custo de vida de R$ 20 mil por mês: quanto dinheiro preciso ter investido?"
Para as autoridades policiais, essas buscas demonstram que o ex-gerente tinha plena consciência da ilegalidade de suas ações e buscava maneiras de se proteger legalmente enquanto planejava uma vida de renda passiva com o dinheiro desviado.
Esquema de superfaturamento e agiotagem
Segundo a investigação conduzida pela 6ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo (DEIC), o esquema operava entre 2021 e 2025. Péricles Antônio Pereira utilizava seu cargo para superfaturar serviços prestados por terceiros à Fazenda Bacaba, desviando a diferença entre os valores reais e os informados para contas próprias e de terceiros.
Documentos apreendidos revelaram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem, atividade que supostamente era realizada com parte do dinheiro desviado. Empresas prestadoras de serviço relataram comportamento intimidatório durante cobranças, incluindo, segundo depoimentos, o uso de arma de fogo.
Enriquecimento ilícito e aplicações financeiras
A evolução patrimonial do investigado chamou a atenção das autoridades. Recebendo um salário mensal de aproximadamente R$ 26 mil, Péricles viu seu patrimônio saltar de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre 2023 e 2024, sem comprovação da origem dos recursos.
Após a quebra de sigilos bancários, a investigação constatou que o suspeito aplicou mais de R$ 2,5 milhões em fundos de investimento – valor exato sobre o qual ele pesquisou quanto renderia se aplicado para gerar renda passiva. Essa quantia é considerada totalmente incompatível com sua renda declarada.
Operação policial e medidas judiciais
A Justiça determinou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão preventiva, com ações realizadas nas cidades de Miranorte e Lajeado, no Tocantins, e em Novo São Joaquim, no Mato Grosso. Além da prisão, foi autorizado o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e de sua esposa, além de R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa que, segundo a investigação, fazia parte do esquema criminoso.
Defesa alega inocência e patrimônio construído legalmente
Em nota oficial, a defesa de Péricles Antônio Pereira afirmou que o investigado é inocente das acusações e que seu patrimônio foi construído ao longo de mais de 20 anos de trabalho no meio rural. Os advogados sustentaram que a divulgação das informações é prematura, uma vez que ainda não tiveram acesso integral ao inquérito policial, e que a inocência de seu cliente será demonstrada no decorrer do processo legal.
"Trata-se de profissional com mais de 15 anos de atuação como gerente de fazenda, sem qualquer histórico de litígios ou envolvimento em práticas ilícitas, sempre pautando sua conduta na ética, na confiança e na integridade", afirmou a defesa em comunicado.
A investigação continua para apurar todas as conexões do esquema e identificar possíveis outros envolvidos. O caso representa um dos maiores desvios de recursos no agronegócio da região nos últimos anos e chama a atenção para a necessidade de maior controle e fiscalização nas transações financeiras do setor rural.



