Ex-gerente é preso por extorsão e agiotagem após desviar R$ 10 milhões de fazenda no Tocantins
Ex-gerente preso por desviar R$ 10 milhões de fazenda no TO (13.04.2026)

Ex-gerente é preso por extorsão e agiotagem após desviar R$ 10 milhões de fazenda no Tocantins

O ex-gerente Péricles Antônio Pereira foi preso preventivamente na terça-feira (7) por suspeita de desviar aproximadamente R$ 10 milhões da Fazenda Bacaba, localizada em Miranorte, no estado do Tocantins. A operação foi conduzida pela Polícia Civil, que investiga um esquema complexo envolvendo superfaturamento, extorsão e agiotagem.

Evolução patrimonial incompatível gera suspeitas

Segundo as autoridades, Péricles recebia um salário mensal de R$ 26 mil como gerente da fazenda, cargo que ocupou entre 2021 e 2025. No entanto, a investigação revelou uma evolução patrimonial drástica e incompatível com essa renda. Entre 2023 e 2024, seu patrimônio saltou de cerca de R$ 200 mil para impressionantes R$ 1,9 milhão, levantando alertas sobre a origem dos recursos.

Esquema de superfaturamento e desvios milionários

O suposto esquema criminoso funcionava através do superfaturamento de serviços prestados por empresas terceirizadas. Péricles, aproveitando sua posição, inflacionava os valores dos contratos, e a diferença entre os custos reais e os pagos era desviada para contas próprias e de terceiros ligados ao plano. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e de sua esposa, além de R$ 1,6 milhão em contas de uma empresa envolvida nas irregularidades.

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Pesquisas na internet indicam planejamento de fuga financeira

Durante as investigações, com autorização judicial, a polícia acessou os dados digitais de Péricles e identificou buscas online suspeitas. Ele pesquisou termos como “qual a renda passiva de R$ 2,5 milhões aplicados em renda fixa” e “como viver de renda com R$ 2,5 milhões”, simulando formas de manter um custo de vida mensal de R$ 20 mil sem trabalhar. Esses valores coincidem com quantias encontradas em suas contas, sugerindo um planejamento para proteger seu patrimônio diante das acusações.

Indícios de agiotagem e extorsão com uso de arma

Além do desvio de recursos, documentos analisados pela 6ª DEIC (Delegacia Especializada em Investigações Criminais) mostraram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem. Testemunhas, incluindo prestadores de serviço, relataram comportamento intimidatório durante cobranças, com menção ao uso de arma de fogo, reforçando as acusações de extorsão.

Defesa alega inocência e patrimônio construído ao longo dos anos

Em nota, a defesa de Péricles afirmou que ele é inocente e que seu patrimônio foi construído ao longo de mais de 20 anos de trabalho no meio rural, sem histórico de envolvimento em ilícitos. A defesa ressaltou que as acusações serão esclarecidas no devido processo legal, garantindo o contraditório e a ampla defesa.

Investigação continua com possibilidade de mais envolvidos

A Polícia Civil indica que o esquema pode ter envolvido terceiros e outras empresas prestadoras de serviço, com parte do dinheiro desviado sendo repassado para contas de colaboradores. As investigações prosseguem para apurar a extensão total dos crimes e identificar todos os participantes.

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